Moradores de áreas de risco temem falta de emprego após remoções

Este foi o último dia em que Conceição Lima dos Santos viu sua casa em pé. A residência onde ela morava com a família é uma entre as 250 da comunidade do Morro do Urubu, zona norte do Rio de Janeiro, que serão demolidas pela Prefeitura por ficarem em áreas de risco de deslizamento.

BBC Brasil |

Os trabalhos de demolição começaram na última segunda-feira e Conceição e outros oito membros de sua família estão abrigados em uma casa com dois cômodos que fica na própria comunidade, pagando um aluguel de R$ 250.

De acordo com a Prefeitura, os moradores do Morro do Urubu serão reassentados em um conjunto habitacional do programa Minha Casa, Minha Vida em Realengo, zona oeste do Rio, que fica a cerca de 20 quilômetros do local onde moravam.

"A gente saiu com vida, onde nos levarem a gente vai", diz Conceição, que mora há 40 anos no Morro do Urubu.

Trabalho
A região onde fica o morro é rica em estabelecimentos comerciais, escolas e fica próxima ao hospital Salgado Filho, um dos mais importantes do Rio.

Sobre o Realengo, possível local de sua nova moradia, Conceição diz não saber muita coisa.

"Tenho medo de que lá não tenha tanto trabalho quanto aqui", diz Conceição, que vive de fazer bicos na comunidade.

Mesmo tendo dúvidas a respeito do novo bairro, ela afirma que não pensa em voltar para o Morro do Urubu.

"Foi muito triste, muito doloroso", diz a moradora sobre os deslizamentos de terra no morro, que não deixaram vítimas fatais.

Vizinhança
A 20 quilômetros dali, em uma rua transversal à avenida Brasil, em Realengo, os cerca de 290 apartamentos para onde os moradores do Morro do Urubu serão enviados estão sendo finalizados.

O prédios ficam próximos a um grande terreno descampado e quase não há estabelecimentos comerciais nas proximidades do local, que fica a cerca de 37 quilômetros do centro do Rio pela frequentemente congestionada avenida Brasil.

Segundo o pedreiro Agnaldo Oliveira Gomes, apesar da distância, o local é de fácil acesso e é preciso tomar apenas um ônibus para chegar ao centro da cidade.

Ele ainda afirma que há hospitais e escolas nas proximidades e diz não ter dificuldades para encontrar obras para trabalhar.

A notícia de que os novos vizinhos vindos do Morro do Urubu devem chegar em breve, no entanto, parece não agradar o pedreiro.

"Acho que vai aumentar os número de assaltos. Aqui é muito tranquilo, e quanto mais gente, mais assaltos."

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG