O movimento do líder radical xiita Moqtada Sadr anunciou neste sábado que chegou a um acordo com o governo iraquiano para pôr fim aos confrontos em seu reduto de Sadr City, em Bagdá, que deixaram centenas de mortos desde o fim de março.

Este compromisso, que entrará em vigor no domingo, foi decidido após combates entre milicianos xiitas e soldados norte-americanos que resultaram na morte de pelo menos 13 pessoas desde sexta-feira à noite no bairro.

O porta-voz do movimento sadrista em Najaf (centro-sul), Salah al-Obeidi, indicou que representantes do governo de Nuri al-Maliki e delegados do Moqtada al-Sadr entraram em acordo.

"A partir de domingo, interromperemos os confrontos, retiraremos os homens armados das ruas e as estradas que levam à Sadr City serão liberadas", assegurou o porta-voz.

Na sexta-feira, o movimento do líder radical acusou a direção religiosa xiita de passividade perante o "massacre" efetuado no bairro, onde vivem mais de dois milhões de pessoas.

Obeidi ressaltou que o compromisso não prevê a dissolução da milícia de Moqtada al-Sadr, o Exército do Mahdi, nem seu desarmamento.

"O acordo contempla o direito das forças armadas e de segurança de realizar operações contra pessoas procuradas, respeitando os direitos humanos", explicou.

O governo não se pronunciou sobre o assunto.

Segundo fontes dos serviços de segurança e de saúde iraquianas, pelo menos 13 pessoas morreram e outras 77 ficaram feridas em confrontos desde sexta-feira à noite.

"Todos os mortos são homens", informou um médico do hospital de imã Ali, um dos três centros hospitalares do bairro, "mas há mulheres e crianças entre os feridos", avisou.

O Exército dos Estados Unidos enfrenta desde o final de março combatentes do Exército do Mahdi em Sadr City.

Washington assegura que seu objetivo é eliminar dessa região os que lançam morteiros e foguetes que atingem freqüentemente a Zona Verde de Bagdá, onde ficam localizadas as instituições iraquianas e a embaixada americana.

No entanto, o movimento sadrista defende que Maliki e os americanos pretendem na realidade se desfazer deles, já que em outubro serão realizadas eleições cruciais.

A violência em Sadr City deixou centenas de mortos e obrigou milhares de pessoas a abandonarem suas casas.

O bairro ficou ilhado do resto da capital iraquiana devido ao controle do Exército na região que autoriza apenas a passagem de um número limitado de veículos.

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