Kinshasa, 26 nov (EFE).- A Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo (Monuc) acusou hoje o movimento rebelde tutsi Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP) de violar a trégua no leste do país e também denunciou os atos de pilhagem realizados pelo Exército congolês.

"A rebelião lançou novas ofensivas militares no eixo Kiwanja-Ishasa (ao norte da capital da província de Kivu Norte, Goma) com o pretexto de operações policiais de pacificação, o que agrava a situação de segurança e humanitária" na região, indica a Monuc em comunicado divulgado em Kinshasa.

Segundo o documento, os homens do CNDP e os milicianos Mai-Mai - aliados do Governo - continuam se enfrentando em Kinyandoni e Nkwenda, ao leste de Kiwanja, a 80 quilômetros de Goma, e em conseqüência dos combates, as populações fugiram para a vizinha Nyamilima e para a fronteira com Uganda.

Porta-vozes do CNDP, liderado pelo general Laurent Nkunda, informaram ontem que seus soldados realizaram operações de segurança, e que não tinham forçado o deslocamento de civis, para impedir a infiltração dos Mai-Mai e das Forças Democráticas pela Libertação de Ruanda (FDLR) - também aliadas do Governo - em Kiwanja e proximidades.

Em comunicado, a Monuc condena sem reservas as ações do CNDP e pede ao movimento rebelde que respeite incondicionalmente o cessar-fogo a fim de não complicar mais a situação de segurança e aumentar os sofrimentos dos civis.

A trégua em Kivu Norte foi conseguida a pedido do CNDP, que em 18 de novembro começou a se retirar unilateralmente das frentes de batalha no norte de Goma a fim de "dar uma nova oportunidade à paz" e em apoio à mediação para um armistício realizada por Olusegun Obasanjo, ex-presidente da Nigéria e enviado especial do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Ao iniciar sua retirada a 40 quilômetros de suas posições de avanço, o movimento rebelde pediu que a Monuc zele pela segurança nas zonas de separação e que garanta nenhuma outra força as ocupe, pois caso contrário, anularia imediatamente sua decisão de se retirar delas.

No dia 19 de novembro, o porta-voz militar da Monuc, Jean-Paul Dietrich, confirmou que os capacetes azuis (tropas da ONU) feriram esta manhã um grupo de milicianos Mai-Mai que aparentemente avançavam em direção à cidade de Kiwanja após a retirada dos soldados do CNDP.

No comunicado de hoje, a Monuc também denuncia atos de pilhagem perpetrados esta semana por soldados da Forças Armadas da República Democrática do Congo (RDC) em Lubero, a 120 quilômetros ao norte de Goma.

O povoado de Bulotwa foi o epicentro dos desmandos de algumas unidades das Forças Armadas da RDC, lamenta a Monuc, que exige que as autoridades militares punam os responsáveis, como o Governo prometeu em ocasiões anteriores.

A Monuc lembra que durante as duas últimas semanas, soldados do Exército congolês foram responsáveis por vários atos de pilhagem em Lubero e Kanyabayonga.

A Monuc reiterou mais uma vez que as facções rivais de Kivu Norte respeitem estritamente o cessar-fogo e as zonas de separação entre seus soldados.

A ONU destaca que as zonas de separação permanecem em calma há seis dias, que os capacetes azuis estão patrulhando a região e que a consolidação da trégua dependerá da boa-fé dos grupos rivais. EFE py/wr/jp

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.