Montreal terá como eixo plano de qualidade para a reconstrução do Haiti

Julio César Rivas. Montreal (Canadá), 24 jan (EFE).- A conferência internacional sobre o Haiti da segunda-feira em Montreal deve apontar para um plano coletivo (de reconstrução) que atenda aos desejos dos haitianos, disse hoje o Governo canadense, que preside a reunião.

EFE |

"O que necessitamos agora é um plano coletivo que responda às aspirações dos haitianos e que seja baseado em uma sólida avaliação das necessidades e prioridades. Queremos fazê-lo (a reconstrução do Haiti) bem", explicou o ministro de Relações Exteriores do Canadá, Lawrence Cannon, em entrevista coletiva.

Os representantes de dezenas de países e organizações começaram a chegar hoje a Montreal para traçar o Mapa de Caminho para reconstruir o Haiti, após o devastador terremoto de 12 de janeiro, que até agora deixou "cerca de 120 mil mortos", segundo o titular do Ministério da Saúde haitiano, Alex Larsen.

Cannon afirmou que a reunião "estabelecerá uma visão clara e comum na comunidade internacional" para a recuperação e reconstrução no longo prazo do Haiti.

"Esta conferência será o passo inicial mais crítico no longo caminho da recuperação", acrescentou o ministro canadense.

A reunião também discutirá a necessidade de um maior grau de coordenação entre os países envolvidos na ajuda humanitária ao Haiti, após os problemas surgidos nos primeiros dias depois do terremoto.

Várias nações queixaram-se sobre a maneira como os Estados Unidos - no controle do aeroporto de Porto Príncipe desde o tremor - administraram a chegada de ajuda humanitária ao país.

Na semana passada, o embaixador do Haiti nos Estados Unidos, Raymond Joseph, protestou contra a prática dos militares americanos de lançar a partir de helicópteros a ajuda humanitária em vez de estabelecer no solo pontos de entrega.

Em termos similares, a Coordenadora Humanitária do Programa Mundial de Alimentos, Kim Bolduc, disse que era "preciso uma distribuição ordenada e respeitosa de comida".

Apesar disso, Washington reiterou que manterá a prática de jogar provisões pelo ar para aliviar a pressão do aeroporto de Porto Príncipe.

São questões como estas que terão de ser resolvidas imediatamente pelos ministros do Grupo de Amigos do Haiti (Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Costa Rica, França, México, Peru, Estados Unidos e Uruguai) junto com representantes do Japão, Espanha, a República Dominicana e a União Europeia, além de instituições internacionais.

Cannon revelou neste domingo a participação em Montreal do primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive, e de algumas das principais ONGs que trabalham no Haiti "para informar aos ministros de sua perspectiva" sobre os problemas e soluções para o Haiti.

Um grupo de ONG, entre estas a Oxfam - denominada Coalizão Humanitária - assinalou que a conferência de Montreal deveria decidir pelo cancelamento da dívida haitiana, avaliada em US$ 890 milhões.

A coalizão iniciou uma campanha convidando as pessoas a enviarem mensagens ao diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, para que ao final da reunião, na tarde de segunda-feira, um dos pontos do acordo seja o cancelamento da dívida.

Nesse domingo, o ministro de Assuntos Exteriores canadense admitiu que a proposta será uma das opções que os delegados estudarão em Montreal, mas reconheceu que é "prematuro" afirmar que a ideia será adotada.

Precisamente, Strauss-Kahn disse que o Haiti precisa de um "Plano Marshall" similar ao que teve Europa após a Segunda Guerra Mundial.

Segundo o diretor do FMI, o Haiti necessita de "algo que é muito maior para responder à reconstrução do país. O que precisa ser implementado agora no Haiti é um Plano Marshall - foi um plano pensado pelos EUA para reconstruir os países aliados da Europa nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial".

Mas a aprovação desse plano é algo que terá de ser acometido por uma cúpula de líderes, cuja data e lugar de realização será determinada em Montreal.

O terremoto de 7 graus na escala Richter que atingiu o Haiti ocorreu às 19h53 de Brasília do dia 12 de janeiro e teve epicentro a 15 quilômetros da capital, Porto Príncipe.

Pelo menos 21 brasileiros morreram na tragédia, sendo 18 militares e três civis, entre eles a médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti. EFE jcr/dm

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