Monti é chamado por presidente da Itália para formar novo governo

Economista, cujo apelido é Super Mario, tem como papel recuperar o país da crise que atinge a zona do euro

iG São Paulo |

O economista Mario Monti, de 68 anos, foi convocado neste domingo pelo presidente da Itália, Giorgio Napolitano, a formar o novo governo do país após a renúncia do premiê Silvio Berlusconi , na véspera. A confirmação do convite a Monti, amplamente esperado, ocorreu após uma reunião de menos de uma hora com Napolitano no palácio presidencial Quirinale, em Roma.

A formação de um novo governo ainda no fim de semana, antes da abertura dos mercados financeiros na segunda-feira, era vista como importante nos esforços para acalmar os investidores sobre a capacidade da Itália de sair da atual crise. Monti deve encabeçar um governo de tecnocratas cuja principal função será implementar o plano de austeridade aprovado no sábado. A lei contém medidas duras para economizar 59,8 bilhões de euros e equilibrar o orçamento do país até 2014.

AFP
Monti é economista, conhecido por ser um negociador puro
Contraste com Berlusconi
Mario Monti representa um forte contraste a Silvio Berlusconi. Enquanto o ex-premiê italiano é chamativo, controverso e negativo para os mercados, Monti é um respeitado economista, cuja vida sempre esteve ligada aos meandros da União Europeia.

Monti é conhecido por ser um negociador duro, chefe de uma universidade que tem a reputação de formar as melhores cabeças pensantes da Itália. Ele tem sido visto como um homem acima da política e sempre foi o mais cotado a tomar as rédeas do país, agora que sua economia está prestes a degringolar.

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O economista nasceu em 1943 na cidade de Varese, no norte da Itália. Ele estudou economia na Universidade de Bocconi, em Milão, e em Yale, nos Estados Unidos.

Na Universidade de Yale, foi aluno do professor James Tobin, que criou a “Taxa Tobin”, também chamada de “Taxa Robin Hood” – imposto que incide sobre movimentações financeiras de caráter especulativo.

Ensinou economia na Universidade de Turin por 15 anos, antes de voltar para Bocconi como reitor em 1984. Dez anos depois, foi nomeado comissário para mercados internacionais e serviços da União Europeia.

Mas foi em seu segundo mandato como comissário, entre 1999 e 2004, que ganhou o apelido de “Super Mario”, o ágil mecânico dos videogames, pela forma como defendeu os interesses da comissão. Ele bloqueou a fusão entre a General Eletrics e a Honeywell, em 2001, e lutou contra poderosos bancos da Alemanha.

Monti também lançou uma operação antitruste contra a Microsoft. Em 2004, a União Europeia multou a empresa em 497 milhões de euros por abuso do poder concedido à sua posição no mercado.

Quem nomeou Monti para seu segundo mandato em Bruxelas foi o então premiê italiano Massimo D’Alema (1998-2000). Mas em 2004, Berlusconi já estava de volta ao poder e recusou-se a apoiar o economista de fala mansa da Lombardia para mais um mandato.

Em 2005, Monti fundou a Bruegel em Bruxelas, órgão especializado em política econômica. Ele voltou à Universidade de Bocconi, desta vez como seu presidente.

Agora com 68 anos, Monti foi incumbido com a tarefa de escrever um relatório sobre o futuro do mercado único da União Europeia. No ano passado, ele foi um dos fundadores de uma iniciativa conhecida como Grupo Spinelli, que visa promover maior integração ao bloco econômico. Outros membros incluem o ex-presidente da Comissão da qual fazia parte, Jacques Delors, e o ex-chanceler alemão Joschka Fischer.

Em 11 de novembro, Mario Monti foi nomeado pelo presidente Giorgio Napolitano como senador vitalício no Parlamento italiano.

Crise financeira
Entre as medidas aprovadas pelo Parlmanto para tirar a Itália da crise estão o aumento do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), de 20% para 21%; o congelamento dos salários de servidores até 2014; a elevação da idade mínima de aposentadoria para as trabalhadoras do setor privado, de 60 anos em 2014 para 65 em 2026; aperto nas medidas contra a evasão fiscal; e um imposto especial para o setor de energia.

O ex-premiê italiano Romani Prodi, que liderou um governo de centro-esquerda entre dois mandatos de Berlusconi, elogiou a saída do polêmico magnata e disse que Monti é "o homem certo" para sucedê-lo.

"Ele (Monti) é moderado e conhece o sistema financeiro internacional. Esse ataque especulativo contra os títulos da divida italiana são em parte por causa de Berlusconi, não por causa da realidade", afirmou Prodi.

Ele disse que "ter um primeiro-ministro que tenha credibilidade e que cuide das finanças públicas, não as suas próprias finanças" ajudará o país a recuperar a confiança dos investidores.

Monti era visto como o nome preferido dos mercados para suceder Berlusconi. No entanto, analistas afirmam que, mesmo com a aprovação do pacote de reformas e a posse de um primeiro-ministro tecnocrata, a Itália ainda terá dificuldade para equilibrar sua economia. A dívida pública italiana já atinge 120% do PIB (Produto Interno Bruto).

Na quinta-feira, o governo italiano conseguiu levantar 5 bilhões de euros em novos títulos da dívida, a juros de 6,087% para títulos de um ano. Na quarta-feira, os juros para títulos da dívida de dez anos chegaram a 7%, mesmo patamar registrado por Grécia, Irlanda e Portugal quando foram obrigados a buscar ajuda financeira do FMI e da UE. Uma equipe de especialistas da UE já está trabalhando em Roma, monitorando os planos do governo para reduzir sua dívida. Nos últimos 15 anos, a economia italiana cresceu a uma taxa média anual de 0,75%.

Com BBC, Reuters

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