Montenegro segue reconhecendo Kosovo mesmo sob ameaça da oposição

Podgórica, 15 out (EFE).- O primeiro-ministro de Montenegro, Milo Djukanovic, declarou hoje que seu Governo não recuará sobre o reconhecimento da independência do Kosovo, apesar da ameaça dos partidos opositores de exigir um referendo ou eleições antecipadas, anulando essa medida caso não seja atendido.

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Djukanovic reiterou no Parlamento que a decisão não foi "precipitada", como diz a oposição dos partidos pró-sérvios, mas "tomada no melhor interesse de Montenegro".

Hoje se completava o prazo dado pela oposição ao Governo para retirar sua decisão sobre o Kosovo ou convocar um referendo a respeito.

A oposição adiantou que pedirá a convocação de eleições parlamentares antecipadas.

Na segunda-feira passada, os partidos opositores convocaram, em Podgórica, um protesto em massa para expor suas reivindicações, que terminou em confrontos com a Polícia e causando 30 feridos, muitos deles agentes, e mais de 40 detidos.

Governo e oposição se responsabilizam mutuamente de haver provocado os incidentes.

Um dos líderes opositores, Andrija Mandic, declarou greve de fome como protesto contra o reconhecimento do Kosovo.

A oposição afirma que essa decisão causará profundas divisões e tensões em Montenegro e deteriorará as relações com a Sérvia, o vizinho mais próximo e com o qual formava um Estado único há até dois anos.

O Governo montenegrino reconheceu no dia 9 a independência do Kosovo e argumentou que a decisão se fundamenta nos interesses estratégicos do país, que são o ingresso nas organizações européias e atlânticas, e a estabilidade na região.

Belgrado recebeu como "decepcionante" essa decisão, e em resposta, expulsou a embaixadora montenegrina na Sérvia como uma medida "de arsenal diplomático", embora tenha assegurado que não empreenderá sanções econômicas contra Podgórica.

Sérvia considera o Kosovo sua província e parte inalienável de seu território, e vê como uma violação do direito internacional sua independência, proclamada de forma unilateral em fevereiro. EFE dp-sn/jp

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