Montenegro se prepara para eleições no domingo

No próximo domingo Montenegro elegerá um novo presidente, dois anos depois de sua independência, e ainda sem se pronunciar sobre a independência de Kosovo com receio de complicar sua relação com a Sérvia.

AFP |

O grande favorito, o atual presidente e candidato a reeleição Filip Vujanovic, que com mais de 50% dos votos, venceria a eleição sem necessidade de um segundo turno, evitou falar sobre Kosovo durante a campanha eleitoral. Dessa forma, Vujanovic quis assegurar os votos da população servia que representa 30% dos 650 mil habitantes de Montenegro.

O candidato pró-sérvio, Andrija Mandic, com 20% das intenções de voto segundo pesquisas, focou sua campanha na independência de Kosovo, seguindo os passos do governo de Belgrado. Essa escolha levou à condenação de sua eleição.

A independência de Kosovo, declarada em 17 de fevereiro passado, foi reconhecida por 35 países, entre eles os Estados Unidos e os principais membros da União Européia. Nos Bálcãs, a recusa total à Sérvia tem provocado tensões na região.

O primeiro-ministro montenegrino, Milo Djukanovic, indicou recentemente que seu país deve ser muito prudente no reconhecimento da independência kosovar, sobre tudo porque Belgrado já teve problemas para aceitar a própria separação de Montenegro, obtida por um referendo em março de 2006.

O atual presidente, Vujanovic, de 53 anos, sócio político de Djukanovic durante anos, seguiu a mesma linha, levando em conta inclusive que a minoria albanesa de Montenegro, de 7% a 8% da população, quer que a situação de Kosovo seja reconhecida o quanto antes.

A popularidade de Vujanovic, presidente desde 2003, é consequência da aliança com Djukanovic, responsável pela independência montenegrina.

Vujanovic, advogado de profissão, também destacou em sua campanha que ele foi o único candidato que "lutou pela independência", enquanto que seus adversários "lutaram contra Montenegro".

Desde a independência da Sérvia, Montenegro assinou acordos de aproximação com a União Européia e de adesão à ONU e outras entidades internacionais, como a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), e espera formar parte da Europa antes de 2012.

Caso nenhum dos candidatos obtenha a maioria absoluta nestas eleições de domingo, um segundo turno será realizado em duas semanas.

Entre os candidatos à presidência, também estão Nebojsa Medojevic, do Movimento Liberal por Mudanças (PZP), e Srdjan Milic, do Partido Popular Socialistas (SNP) de centro-esquerda.

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