Desde março, emblemático mosteiro tibetano em Sichuan é palco de imolações em protesto contra ocupação do Tibete pela China

Uma monja tibetana morreu após atear fogo ao próprio corpo na Província de Sichuan, no sudoeste da China, onde nos últimos meses oito monjes budistas morreram ateando fogo ao próprio corpo para repudiar a ocupação do Tibete, informou nesta terça-feira a ONG Free Tibete (Liberte o Tibete, em tradução livre).

Monges tibetanos exilados carregam retratos dos que se imolaram no Tibete neste ano durante protesto em Dharmsala, Índia (14/10/2011)
AP
Monges tibetanos exilados carregam retratos dos que se imolaram no Tibete neste ano durante protesto em Dharmsala, Índia (14/10/2011)
Tenzin Wangmo, de 20 anos, é a primeira monja a se imolar em 2011. Ela morreu na segunda-feira no lado de fora do mosteiro de Kirti, a cerca de 3 quilômetros da cidade de Ngaba.

Desde março, o emblemático mosteiro tibetano vem sendo palco de constantes imolações. Assim como as demais, a de Tenzin exigia o regresso do dalai-lama - o líder espiritual dos tibetanos, que está exilado na Índia -, e liberdade religiosa, informou a Free Tibet.

A nona imolação aconteceu somente um dia depois de as forças de segurança dispararem contra dois manifestantes tibetanos que protestavam contra a ocupação chinesa. Segundo a ONG, com sede em Londres, o paradeiro e o estado de saúde das duas vítimas ainda é desconhecido.

O mosteiro de Kirti está cercado por policiais chineses desde o primeiro caso de imolação em 16 de março, no aniversário da primeira revolta contra os chineses em Lhasa, em 2008. Na época, o jovem monge Phuntsog, de 21 anos, imolou-se pelos mesmos motivos de Tenzin. Desde esse episódio, as autoridades chinesas levaram cerca de 300 religiosos dessa instituição para reeducação.

A China, que afirma ter "libertado pacificamente" o Tibete em 1951 para melhorar as condições de vida dos tibetanos, apertou o controle sobre a região autônoma de Sichuan, onde vivem muitos tibetanos, e sobre as províncias limítrofes, após as desordens de 2008.

"Os distúrbios no Tibete estão aumentando. O número e a frequência das imolações não têm precedente. A informação que nos chega sugere que há mais pessoas dispostas a perder sua vida para evidenciar as persistentes e brutais violações que os tibetanos sofrem por parte da China", disse Stéphanie Bridgen, diretora da ONG.

No sábado, o monge Norbu Dathulde Kirti, de 19 anos, também tentou se imolar. Antes de gritar pedindo liberdade do Tibete e o retorno do dalai-lama, o jovem ateou fogo em seu próprio corpo no mercado central de Ngaba.

Segundo a Free Tibete, não há informações sobre o estado de saúde e a situação da vítima. Na semana passada, o governo chinês classificou as imolações como "atos terroristas encobertos" e garantiu que as pessoas estavam sendo "incitadas pelo grupo do dalai-lama", Prêmio Nobel da Paz de 1989, que é considerado um separatista por Pequim por pedir maior autonomia para as regiões tibetanas.

*Com EFE e AFP

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