Monitores da UE ingressam em zonas de segurança da Geórgia

Por Margarita Antidze NABAKHTEVI, Geórgia, 1o (Reuters) - Monitores da União Européia (UE) entraram nesta quarta-feira, pela primeira vez, em uma zona de segurança controlada pela Rússia e criada ao redor da região separatista da Ossétia do Sul, na Geórgia.

Reuters |

Segundo os envolvidos, a manobra significava o início tranquilo das operações da força de paz enviada à área.

Os mais de 200 monitores da UE começaram a chegar à região conforme prevê o acordo de cessar-fogo mediado pela França e, segundo o qual, as forças russas precisam, dentro de dez dias, abandonar as zonas de segurança criadas dentro da Geórgia e ocupadas durante a rápida guerra travada entre os dois países em agosto.

Um militar russo e autoridades da UE haviam dito antes que ainda não existia um acordo sobre o acesso total às zonas. No entanto, na quarta-feira, ao menos duas patrulhas do bloco europeu ingressaram na zona de segurança da Ossétia do Sul em pontos diferentes, atravessando postos de controle da Rússia.

Um repórter da Reuters que viajava junto com uma das patrulhas, essa liderada por monitores civis da França, entrou na zona perto do vilarejo de Nabakhtevi, a oeste da cidade de Gori. "Estamos dentro da zona de segurança", confirmou um dos monitores.

É preciso que essas manobras ocorram de forma tranquila a fim de garantir o sucesso do acordo de paz. A crise em torno da Geórgia, que almeja ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e que é um importante território de passagem para o petróleo e o gás vindos do mar Cáspio, desgastaram as relações da Rússia com a Europa e os EUA.

Depois de uma longa discussão com comandantes russos, uma segunda patrulha ingressou em Karaleti.

A missão da UE deve coordenar "passo a passo" a retirada das forças russas e o regresso simultâneo de policiais georgianos para as zonas de segurança, evitando assim um vácuo de poder.

A Geórgia mostrou-se satisfeita com a presença dos monitores europeus.

"Essa é mais uma prova de que, quando a comunidade internacional age de forma unida e decidida, os russos vêem-se obrigados a ceder", disse o secretário do Conselho Nacional de Segurança da Geórgia, Kakha Lomaia.

A Rússia afirmou que os monitores da UE não poderão ingressar na Ossétia do Sul ou na Abkházia, uma outra região separatista da Geórgia. Ambas foram reconhecidas pelos russos como Estados independentes depois do conflito, e a Rússia pretende deixar estacionados mais de 7.000 militares nas duas regiões.

Meses de desavenças entre os separatistas e os soldados georgianos eclodiram em uma guerra quando, em agosto, o Exército da Geórgia tentou retomar à força o controle sobre a Ossétia do Sul, aliada dos russos. A região havia expulsado os soldados georgianos dali em um conflito ocorrido nos anos de 1991 e 1992.

A Rússia respondeu à investida da Geórgia com uma grande operação militar que fez com que os georgianos retrocedessem. As forças russas depois avançaram pelo território georgiano alegando que precisavam garantir a segurança das regiões separatistas.

Potências ocidentais consideraram que a Rússia exagerou em sua resposta e exigiram várias vezes que os russos retirassem seus soldados das zonas de segurança criadas dentro da Geórgia.

Em Tbilisi, um policial georgiano mostrou o que seria um avião-robô da Rússia que caiu do céu na terça-feira, fora da Ossétia do Sul. Os russos não confirmaram a informação.

(Reportagem adicional de Matt Robinson)

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