Monges birmaneses pedem apoio do Brasil a embargo de armas

Um grupo de monges birmaneses chegou ao Brasil nesta semana para pedir que o governo brasileiro use suas boas relações com países como a China e a Índia e pressione pela adoção de um embargo internacional à venda de armas a Mianmar (a antiga Birmânia). O Brasil, como o maior país da América do Sul, pode ter um papel importante.

BBC Brasil |

Pode usar sua influência em fórums internacionais e nas Nações Unidas para pressionar por uma resolução que imponha um embargo total à venda de armas ao governo birmanês", disse à BBC Brasil o monge Ashin Nayaka.

Nayaka está em São Paulo ao lado dos monges Ashin Agga Dhamma e Ashin Kawwida, integrantes da Organização Internacional de Monges Birmaneses (IBMO, na sigla em inglês). Os três falaram à BBC Brasil na sede da ONG Conectas Direitos Humanos.

"A junta militar (que governa Mianmar) está tentando criar um dos maiores exércitos do mundo, em um país que não tem inimigos externos. Eles usam as armas contra seu próprio povo", disse Nayaka, que vive exilado nos Estados Unidos, onde é professor do Departamento de História da Universidade de Columbia, em Nova York.

Presos políticos

Em sua primeira visita ao Brasil, os monges esperam aumentar o conhecimento dos brasileiros sobre Mianmar.

Segundo eles, o objetivo desta visita é mobilizar a sociedade civil, ONGs e o governo brasileiro para que possam influenciar e pressionar a junta militar que governa seu país desde 1962 a respeitar os direitos humanos e promover uma mudança democrática.

Os monges também querem o apoio do Brasil em uma ação global para investigar os crimes cometidos pelo governo de Mianmar e para convencer os militares a aceitar ajuda humanitária externa e libertar os presos políticos.

Entre esses presos políticos está líder da oposição Aung San Suu Kyi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 1991, que passou a maior parte dos últimos 18 anos em prisão domiciliar.

Na semana passada, a junta militar anunciou a extensão de sua prisão domiciliar por mais um ano.

Protestos

A visita dos três monges ao Brasil ocorre a um mês do primeiro aniversário dos protestos realizados e setembro do ano passado.

Na época, manifestações pacíficas pelo fim da repressão militar lideradas por monges budistas foram reprimidas com violência pelo governo. Mosteiros foram invadidos e monges foram mortos ou presos.

A junta militar disse que 15 pessoas morream nos incidentes. No entanto, segundo o relator especial da ONU para o país na época, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, o número de mortes foi pelo menos o dobro.

"Não há como saber quantos realmente foram mortos nem quantos estão presos", disse o monge Nayaka. "A situação está cada vez pior."
Os episódios de violência de setembro de 2007 foram considerados os mais graves ocorridos no país desde 1988, quando manifestações pró-democracia foram reprimidas violentamente pela junta militar, em confrontos que deixaram cerca de 3 mil mortos.

Ciclone

Pouco meses depois, em maio deste ano, a população do país sofreu um novo golpe, com a passagem do ciclone Nargis, que deixou cerca de 2,5 milhões de desabrigados.

Na época, o governo se recusou a aceitar ajuda externa. Poucos dias após a passagem do ciclone, apesar da pressão internacional contrária, a junta militar levou adiante a realização de um referendo sobre a nova Constituição do país.

A viagem dos monges ao Brasil é parte de um roteiro por diversos países. Em São Paulo, sua programação inclui uma exposição de fotos dos protestos de setembro, que está em cartaz no Espaço Cultural do Conjunto Nacional até sexta-feira.

Em Brasília, os monges terão encontros com representantes do Ministério de Relações Exteriores, da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e de ONGs.

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