Mohammed Jawad, libertado segunda-feira de Guantanamo, onde ele chegou em 2002 com 12 anos de idade segundo sua família, afirmou nesta terça-feira em Cabul que está feliz de ter deixado o caixão que foi a prisão americana, um dia depois de voltar para o Afeganistão.

"Estou feliz de ter enfim sido libertado. O que passei foi como viver num caixão. Recebi tratamentos humilhantes", declarou em entrevista à AFP na casa de um parente, no sul da capital afegã.

Libertado por um juiz americano em 30 de julho, Mohammed Jawad chegou segunda-feira à tarde à base americana de Bagram, no centro do Afeganistão, a 50 km ao norte de Cabul, de onde foi levado para a capital.

Após uma passagem pelo ministério da Defesa e um escritório do procurador-geral, encontrou-se com o presidente Hamid Karzaï durante uns 30 minutos, antes de ver sua família.

Ele havia sido foi detido no fim de 2002 em Cabul, suspeito pelos EUA de ter lançado uma granada contra um comboio militar americano. Na época, tinha 12 anos de idade, segundo sua família e o governo afegão, mas entre 16 e 17 anos segundo o Pentágono.

"Sou inocente", disse nesta terça-feira. "Eu fui dado aos americanos pelo governo afegão. Mas não deveriam. Deveria ter sido julgado no Afeganistão"

Em Guantanamo, "era apenas uma criança, mas os americanos não levaram isto em conta", destacou. "Eles foram cruéis. Foi desumano, injusto e doloroso".

Havia torturas? "Sim, as pessoas sofriam", respondeu.

"Estou com raiva dos americanos, mas não vou me vingar. Só quero que eles parem de fazer com outras pessoas o que fizeram comigo", declarou, acrescentando que vai viver em Cabul.

"Mohammed Jawad agora é um homem livre. Ele está fragilizado, e precisa ser protegido", declarou seu advogado americano, Eric Montalvo.

Sua liberação foi anunciada segunda-feira pela Aclu, a poderosa organização americana de defesa das liberdades, que o defendia.

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