Modelos britânicas se filiam a sindicato para lutar por direitos

Centenas de modelos que atuam na Grã-Bretanha se filiaram a um sindicato criado para exigir melhores direitos trabalhistas e proteção contra assédio sexual, exploração e até ataques. Desde o lançamento oficial do sindicato, na Semana de Moda de Londres, em fevereiro passado, mais de 400 modelos se juntaram ao comitê para modelos aberto dentro do sindicato dos atores Equity.

BBC Brasil |

Com a criação do órgão, as modelos têm a quem recorrer para buscar apoio independente, e como a filiação é anônima, as agências não podem discriminar as modelos que se afiliarem ao sindicato.

O órgão foi criado depois de queixas de "comportamento lascivo" em relação a modelos, condições de trabalho abusivas e meninas sendo pressionadas a não comer e emagrecer.

Campanha
As modelos Dunja Knezevic e Victoria Keon-Cohen vêm fazendo campanha pelas mudanças na indústria.

Keon-Cohen, de 22 anos, contou à BBC sobre uma sessão de fotos em particular. "Havia 10 garotas, todas de diferentes idades, tendo que se despir e ficar apenas de fio dental para vestir as peças íntimas (a serem fotografadas), com dois ou três homens olhando".

"Elas estavam tentando se esconder atrás das araras de roupas, mas os homens ficaram olhando os espelhos para ver o reflexo delas."
Knezevic, de 26 anos, disse à BBC que a polícia deveria investigar alguns dos episódios. "Comportamento lascivo é bastante comum, mas ataques sexuais são mais raros. O problema é, que não importa o quão raro seja, nada é jamais feito a respeito".

O sindicato vem falando com clientes, agências, bookers e fotógrafos sobre garantir o direito básico das modelos e afirma que a resposta vem sendo positiva.

O sindicato defende que as modelos tenham pausas durante as sessões de fotos e tentam garantir que elas não se sintam pressionadas a se manter extremamente magras.

As modelos também têm acesso a assessoria legal e informação sobre planos de aposentadoria.

'Questões éticas'
Leni Renston, da agência Quintessentially Models, apóia o movimento, mas não tem certeza de que ele será bem visto por todo mundo.

Segundo ela, "muitas agências no momento não levam em consideração essas questões éticas, mas eu acredito que elas devem se tornar a norma".

"Até que isso aconteça e elas estejam prontas a lidar com esses problemas, acredito que elas vão encontrar dificuldades para lidar com o sindicato."
As modelos planejam uma conferência em setembro com representantes de todos os setores da moda, para discutir os progressos alcançados.

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