Mladic nega que tenha comandado massacre de Srebrenica

General teria sido responsável pela maior atrocidade em solo europeu que resultou na morte de milhares de mulçumanos e croatas

BBC Brasil |

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O general sérvio-bósnio Ratko Mladic nega ter ordenado o massacre de Srebrenica, em 1995, no qual 7,5 mil homens e meninos muçulmanos foram mortos, segundo afirmou neste domingo o filho do militar, Darko Mladic. O massacre, ocorrido durante a Guerra da Bósnia, foi a maior atrocidade cometida em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial.

Mladic, preso na última quinta-feira (26) em um vilarejo no norte da Sérvia, depois de viver 16 anos como foragido, é acusado de ter comandado a ação em Srebrenica. Antes de ser detido, ele era um dos criminosos de guerra mais procurados do mundo .

"Ele disse que, seja o que for que tenha ocorrido em Srebrenica , ele não tem nada a ver com aquilo", afirmou Darko Mladic, depois de visitar seu pai na detenção do tribunal para crimes de guerra da Sérvia, em Belgrado. "Ele salvou tantas mulheres, crianças e combatentes (...). A sua ordem foi para primeiramente evacuar os feridos, mulheres e crianças e, depois, os combatentes. Quem quer que tenha feito algo às suas costas, ele não tem nada a ver com isso", disse.

Extradição

A Justiça sérvia considerou Mladic apto para ser extraditado para Haia (Holanda), sede do Tribunal Criminal Internacional para a Antiga Iugoslávia. A defesa do general tem até esta segunda-feira (30) para entrar com um recurso contra a decisão.

No entanto, o filho do general disse que, de acordo com diagnósticos feitos, ele não tem condições de saúde para ser mandado à Holanda. "Eu apelo ao tribunal de Haia, porque eu não quero que isto seja visto como uma tática de adiamento", disse Darko. "Nós precisamos que especialistas o examinem, não estamos evitando nada", afirmou.

"Eu somente acho que isto está de acordo com a lei - se o homem não é capaz, a extradição não pode ocorrer". Quanto ao tempo em que Mladic esteve foragido, o presidente da Sérvia, Boris Tadic, disse à BBC que a investigação sobre o caso se estenderá a qualquer pessoa que possa ter ajudado o ex-general a escapar da Justiça.

Manifestações

Cerca de 10 mil pessoas foram às ruas da capital da Sérvia, Belgrado, neste domingo protestar contra a prisão e possível extradição para o tribunal de Haia. A manifestação na frente do Parlamento em Belgrado congregou manifestantes com bandeiras e cartazes retratando Mladic como um herói sérvio.

O grupo de extrema-direita 1389 convocou seus simpatizantes a "mostrar a este regime de traidores que nós não temos medo de suas ameaças e de sua repressão, e que estamos prontos para defender os heróis sérvios". Cerca de três mil pessoas participaram de outro protesto, na cidade natal de Mladic, a vila de Kalinovic.

Reuters
Milhares vão às ruas contra a prisão de Ratko Mladic

Sem disfarce

Mladic foi capturado na Província de Vojvodina, no começo da quinta-feira, segundo o ministro da Justiça sérvio, Slobodan Homan. Fontes de segurança sérvias disseram que três unidades especiais invadiram uma casa perto do vilarejo de Lazarevo, a cerca de 80 quilômetros de Belgrado. A casa era de um parente de Mladic, e estava sob vigilância havia duas semanas. Mladic estava usando o nome Milorad Komodic.

A rádio sérvia B-92 dise que ele não estava disfarçado - ao contrário de Karadzic, que usava uma longa barba e um rabo de cavalo quando foi capturado em Belgrado, há três anos. O promotor-chefe do tribunal de crimes de guerra da ONU Serge Brammertz comemorou a prisão, dizendo: "Os acontecimentos de hoje mostram que pessoas responsáveis por graves violações da lei humanitária internacional não podem confiar na impunidade."

Importância

O correspondente da BBC em Belgrado Mark Lowen diz que a prisão é incrivelmente importante para os sérvios, já que "muitos sentiam que o destino de seu país estava refém de Mladic e a esperança de ingressar na União Europeia era nula enquanto ele estivesse foragido".

Depois de viver em liberdade em Belgrado por algum tempo, Mladic desapareceu quando o ex-presidente da Iugoslávia Slobodan Milosevic foi preso, em 2001.

Em 2005, o então ministro do Exterior sérvio, Vuk Draskovic, acusou o serviço secreto do país de saber o paradeiro de Mladic, alegação negada pela agência de inteligência. A especulação sobre uma prisão iminente de Mladic aumentou quando Karadzic foi capturado em Belgrado, em julho de 2008. Em 2010, a Sérvia ofereceu uma recompensa de 10 milhões de euros (pouco menos de R$ 23 milhões) por informações que levassem à captura do militar.

*com AP e EFE

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