Mitchell se reúne com Abbas para abordar divergências com Israel

O emissário especial americano George Mitchell se reuniu nesta sexta-feira com o presidente palestino Mahmud Abbas, cujos assessores reafirmaram que as negociações de paz poderão ser retomadas apenas se Israel aceitar uma solução de dois Estados.

AFP |

"Enquanto o governo de Benjamin Netanyahu não declarar seu apoio sem hesitação a uma solução de dois Estados (israelense e palestino), aplicar os compromissos de Israel relacionados ao Mapa do Caminho e se submeter aos compromissos anteriores, os palestinos não terão um parceiro pela paz", declarou Saeb Erakat, um dos principais negociadores palestinos, ao final do encontro entre Mitchell e Abbas, em Ramallah (Cisjordânia).

"A solução de dois Estados é a única solução", reafirmou Mitchell, depois de Netanyahu ter declarado na quinta-feira que Israel esperava dos palestinos que "eles reconheçam o Estado de Israel como o Estado do povo judeu".

"Israel não procura reinar sobre os palestinos, mas deve se assegurar de que o processo político com eles não conduzirá a um segundo 'Hamastão' (Estado do Hamas) no coração do país", acrescentou o primeiro-ministro israelense no final da reunião com o emissário americano.

Ele fazia referência à Faixa de Gaza, controlada pelo movimento islâmico Hamas, a partir de onde são disparados esporadicamente foguetes em direção a Israel.

"O pedido para que os palestinos reconheçam em primeiro lugar, e antes que as negociações comecem, Israel como um Estado judeu é uma confissão de Netanyahu de que ele não pode fazer a paz", considerou Saeb Erakat.

"A nova condição de Netanyahu tem como único objetivo impedir os progressos das negociações", acrescentou.

Os palestinos temem que esse reconhecimento de Israel como o Estado dos judeus signifique a renúncia do "direito ao retorno" dos refugiados palestinos as suas terras. Cerca de 760.000 palestinos foram forçados ao êxodo após a criação de Israel em 1948.

Já os israelenses preocupam-se também com os Estados Unidos, que não impõem aos palestinos um reconhecimento, mas que insistem em uma solução de dois Estados coexistindo em paz.

A viagem de George Mitchell é a terceira desde que foi encarregado por Obama de relançar o processo de paz, e sua primeira depois da formação do governo de direita de Netanyahu após as eleições de 10 de fevereiro.

Enquanto isso, um palestino foi morto em Bilin, na Cisjordânia, durante uma manifestação contra o muro de separação.

Segundo fontes médicas palestinas, ele foi alvejado por tiros disparados pelo Exército israelense. Este indicou ter utilizado "bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar" os manifestantes que o atacavam.

Segundo um movimento pró-palestinos, a vítima morreu depois de ter sido atingida por uma bomba de gás lacrimogêneo no abdome.

No sul da Cisjordânia, um outro palestino foi morto durante uma tentativa de ataque à colônia de Bait Hagai, próximo a Hebron, segundo os colonos.

bur/dm

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