Mitchell leva carta de garantias sobre negociações de paz para Abbas

(atualiza com final da reunião e detalhes da conversa). Nuha Musleh.

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(atualiza com final da reunião e detalhes da conversa). Nuha Musleh. Ramala, 7 mai (EFE).- O enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, entregou ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, uma carta de garantias de Barack Obama, assegurando que o objetivo da proposta de manter negociações indiretas com Israel é a criação de um Estado palestino. Mitchell chegou à capital palestina no fim da tarde e se reuniu com Abbas durante cerca de uma hora e meia. Segundo o negociador-chefe Saeb Erekat, amanhã e no domingo de manhã os dois voltarão a reunir-se. "A retomada das conversas em breve são só ideias, ainda é cedo para decidir quando acontecerá", disse Erekat, no fim da reunião. Nabil Abu Rudeina, porta-voz de Abbas, disse aos jornalistas que Mitchell deverá retornar a Ramala neste sábado, depois que o Conselho Central da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) se reunir para decidir se aceita a proposta americana sobre as chamadas "negociações de proximidade". O processo, que pode ser anunciado ainda no domingo, depende da carta de Obama, que descreve uma série de compromissos e garantias por parte de Washington que Abbas explicará ao comitê. Os palestinos exigem que os EUA obriguem Israel a cumprir seus compromissos internacionais, entre eles o fim das construções em assentamentos, das detenções e a reabertura de instituições palestinas em Jerusalém Oriental. "Estamos ansiosos para que os esforços do presidente Obama e do enviado Mitchell tenham êxito, queremos um Estado palestino com Jerusalém como capital, o fim dos assentamentos e a liberdade de nossos prisioneiros", disse Erekat. Outro dos compromissos mencionados pelo negociador é que deve haver medidas de sanção para qualquer uma das partes que violar o estipulado durante o tempo que durarem as conversas, uma reivindicação para evitar que Israel atrase as negociações ou volte a construir em zonas ocupadas quando terminar a moratória de dez meses decretada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em novembro. A linguagem da carta fala de "provocações" e Abbas pediu explicações a Mitchell sobre a que esse termo se refere exatamente. Erekat insistiu em que as negociações devem proceder nos marcos do direito internacional, porque "de outra forma as práticas e políticas do Governo israelense acabarão com qualquer oportunidade de conseguir a paz". Analistas palestinos ressaltaram hoje que a resposta da Autoridade Nacional Palestina (ANP) ao início das negociações indiretas será positiva, após ter recebido também o apoio da Liga Árabe, que as condicionou a algum tipo de avanço significativo nos primeiros quatro meses. Já o movimento radical islâmico Hamas, que governa a Faixa de Gaza, não aceitou o processo e advertiu à ANP sobre o início "dessas absurdas conversas de proximidade". Para o Hamas, segundo um comunicado oficial, as negociações "darão à ocupação israelense um guarda-chuva para cometer mais crimes contra os palestinos". "Confiar nas promessas ilusórias dos EUA e em suas garantias, que não têm nenhum fundamento, só significa que a ANP estará brincando com os direitos nacionais palestinos", acrescenta. Antes de viajar para Ramala, Mitchell se reuniu hoje em Jerusalém com o presidente israelense, Shimon Peres; o ministro de Exteriores, Avigdor Lieberman; e a chefe da oposição, Tzipi Livni. Peres pediu a Mitchell que a segurança de seu país seja uma "prioridade" nas negociações indiretas e lembrou as consequências que a retirada unilateral da Faixa de Gaza em 2005 teve para Israel. Segundo o escritório presidencial, Peres disse que após a retirada de Gaza "milhares de foguetes foram disparados contra localidades em Israel", o que, em sua opinião, torna necessário concordar desde o princípio com fortes mecanismos de segurança. O pedido responde às divergências entre as duas partes sobre as prioridades na agenda de negociação. Israel se comprometeu a tratar os principais pontos de conflito (fronteiras, refugiados, Jerusalém, segurança e água), embora seja partidário de começar por questões como segurança, economia e água, revelaram meios de comunicação locais nestes últimos dias. Os palestinos, por sua vez, preferem fazer da questão das fronteiras um ponto de partida, já que ela está intimamente ligada a sua futura independência como Estado. EFE nm-Sa'ar-elb/pb-pd

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