Mitchell leva carta de garantias sobre negociações de paz para Abbas

Nuha Musleh. Ramala, 7 mai (EFE).

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Nuha Musleh. Ramala, 7 mai (EFE).- O enviado dos Estados Unidos, George Mitchell, encontrará o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, hoje à noite para entregar uma carta de garantias por parte do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sobre os objetivos das negociações indiretas com Israel. Mitchell chegou à capital palestina hoje à tarde e foi recebido na entrada da Muqata (sede da Presidência) pelo negociador-chefe, Saeb Erekat. Nenhum deles fez declarações à imprensa. Nabil Abu Rudeina, porta-voz de Abbas, explicou aos jornalistas que Mitchell deverá retornar a Ramala neste sábado depois que o Conselho Central da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) se reunir para decidir se aceita a proposta americana sobre as negociações indiretas. O processo, que pode ser anunciado ainda no domingo, depende da carta de Obama que deve descrever uma série de compromissos e garantias por parte de Washington aos palestinos. Horas antes da entrevista, Erekat revelou que entre esses compromissos está que o objetivo do processo é criar um Estado palestino. "A liderança palestina realmente quer dar uma oportunidade a Mitchell e aos esforços da Administração americana para reativar o estagnado processo de paz", disse. "Mas seu sucesso - esclareceu - deve significar o fim da ocupação israelense e o estabelecimento de um Estado palestino nos territórios ocupados de 1967, com Jerusalém Oriental como capital". Outro dos compromissos mencionados pelo negociador é que deve haver medidas de sanção para qualquer das partes que violar o estipulado durante o tempo que durem as conversas, uma reivindicação para evitar que Israel atrase as negociações ou volte a construir em zonas ocupadas quando concluir a moratória de dez meses decretada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em novembro. A linguagem da carta fala de "provocações" e Abbas irá pedir explicações a Mitchell sobre a que esse termo se refere exatamente. Erekat insistiu que as negociações devem proceder nos marcos do direito internacional, porque "de outra forma as práticas e políticas do Governo israelense acabarão com qualquer oportunidade de conseguir a paz". Analistas palestinos ressaltaram hoje que a resposta da ANP ao início das negociações indiretas será positiva, após ter recebido também o apoio da Liga Árabe, que as condicionou a algum tipo de avanço significativo nos primeiros quatro meses. Já o movimento muçulmano Hamas, que governa a Faixa de Gaza, não aceitou o processo e advertiu à ANP sobre o início "dessas absurdas conversas de proximidade". Para o Hamas, segundo um comunicado oficial, as negociações "darão à ocupação israelense um guarda-chuva para cometer mais crimes contra os palestinos". "Confiar nas promessas ilusórias dos EUA e em suas garantias, que não têm nenhum fundamento, só significa que a ANP estará jogando com os direitos nacionais palestinos", acrescenta. Antes de viajar para Ramala, Mitchell se reuniu hoje em Jerusalém com o presidente israelense, Shimon Peres; o ministro de Exteriores, Avigdor Lieberman e a chefe da oposição, Tzipi Livni. Peres pediu a Mitchell que a segurança de seu país seja uma "prioridade" nas negociações indiretas e lembrou as consequências que a retirada unilateral da Faixa de Gaza em 2005 teve para Israel. Segundo o escritório presidencial, Peres disse que após a retirada de Gaza "milhares de foguetes foram disparados contra localidades em Israel", o que, na sua opinião, torna necessário concordar desde o princípio com fortes mecanismos de segurança. O pedido responde às divergências entre as duas partes sobre as prioridades na agenda de negociação. Israel se comprometeu a tratar os principais pontos de conflito (fronteiras, refugiados, Jerusalém, segurança e água), embora seja partidário de começar por questões como segurança, economia e água, revelaram meios de comunicação locais nestes últimos dias. Os palestinos, por sua vez, preferem fazer da questão das fronteiras um ponto de partida, já que ela está intimamente ligada a sua futura independência como estado. EFE nm-Sa'ar-elb/pb

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