Mitchell e Peres pedem retomada do diálogo com os palestinos

Antonio Pita. Jerusalém, 13 set (EFE).- O enviado dos Estados Unidos (EUA) ao Oriente Médio, George Mitchell, e o presidente israelense, Shimon Peres, chegaram ao consenso hoje em Jerusalém sobre a importância de retomar o diálogo de paz com os palestinos, paralisado no final de 2008.

EFE |

"Acho que existe uma oportunidade de reiniciarmos as negociações antes do final deste mês. É um momento adequado para fazê-lo", disse Peres em sua primeira aparição pública após ser internado ontem à noite por causa de um pequeno desmaio, durante um ato público em Tel Aviv.

O chefe do Estado judeu reconheceu que ainda existem diferenças para voltar à mesa de negociações com a Autoridade Nacional Palestina (ANP) de Mahmoud Abbas, mas demonstrou estar convencido de as mesmas podem se superadas.

"Se deixarmos essa chance passar, podemos ficar sem data", advertiu Mitchell.

Israel está disposto a retomar as negociações políticas com a ANP, mas os palestinos exigem primeiro que seja interrompida a expansão dos assentamentos em Jerusalém Oriental e Cisjordânia, como consta no marco do Mapa de Caminho, o plano de paz do Quarteto de Madri (Nações Unidas, EUA, Rússia e a União Europeia).

A Casa Branca pressiona há meses Israel para que freie a instalação das colônias em território palestino, ocupado desde a Guerra dos Seis Dias de 1967.

"Estamos totalmente de acordo com o presidente Obama (Barack). Se há uma ou duas diferenças, acho que não são de natureza estratégica", concordou Peres.

Analistas e a imprensa local acreditam que Mitchell está na região também para acertar as últimas pontas de um acordo iminente entre os EUA e Israel, de modo que Benjamin Netanyahu (primeiro-ministro israelense), Abbas e Obama já possam demonstrar que o diálogo foi resgatado, nos próximos 23 e 24 de setembro, durante a reunião da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Outro motivo diz respeito ao fato de Obama querer apresentar também na reunião de cúpula o seu plano de paz para o Oriente Médio.

Entre os principais pontos, o texto se baseia no estabelecimento de um Estado palestino no ano 2011, primeiro na Cisjordânia e depois na Faixa de Gaza, controlada atualmente pelo movimento islamita Hamas, segundo contou o vice-presidente do Parlamento palestino, Hassan Jraishe.

O jornal israelense "Ha'aretz" informou hoje, a partir de fontes palestinas e europeias, que as negociações serão reiniciadas em outubro e que o Estado palestino será implantado dentro de dois anos e os temas espinhosos ficarão para outro momento.

Abbas resiste em participar da reunião sem ter garantias prévias que o direitista Netanyahu - quem até meses atrás rejeitava a criação de um Estado palestino - irá de fato ter uma conversa franca e não apenas ganhar tempo perante a comunidade internacional.

Mitchell se reunirá amanhã com o chefe de Governo israelense e na terça-feira com o presidente palestino.

"É nossa intenção concluir esta fase de conversas em um futuro muito próximo, para passarmos à fase seguinte, realmente a mais importante", declarou após a reunião com o presidente israelense, que seguiu a seus encontros com os ministros da Defesa, Ehud Barak, e Assuntos Exteriores, Avigdor Lieberman.

Poucas horas depois, Netanyahu se reuniu a sós e a portas fechadas no Cairo com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, segundo a agência oficial egípcia "Mena".

O futuro do processo de paz com os palestinos é um dos pontos da reunião, além das negociações para a troca do soldado israelense Gilad Shalit, capturado em 2006 por três milícias palestinas, precisaram fontes oficiais israelenses. EFE ap/dm

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG