Ramala, 18 set (EFE).- O enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, acabou sem acordo hoje sua reunião em Ramala com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, ao não obter reduções nas exigências para retomar as negociações, disse Saeb Erekat, chefe de negociação palestino.

"Gostaríamos de atender ao presidente (americano, Barack) Obama, mas Israel não se compromete a uma paralisação total da atividade nos assentamentos. Não é aceitável nem para nós, nem para os americanos", disse Erekat, após o encontro, que precede uma nova reunião hoje, em Jerusalém, entre Mitchell e Netanyahu.

A agência oficial palestina "Wafa" informou que Mitchell reconheceu a Abbas que não tinha conseguido que Netanyahu retirasse sua recusa em parar a ampliação dos assentamentos judaicos nos territórios palestinos ocupados de Jerusalém Oriental e Cisjordânia, na reunião que tiveram de manhã.

Essa é a condição dos palestinos para retomar o diálogo, em linha com as obrigações do Estado judeu no Mapa do Caminho, o plano de paz lançado em 2003 pelo Quarteto de Madri (EUA, União Europeia, ONU e Rússia).

Mitchell tentou em Ramala, sem sucesso, convencer hoje o presidente da ANP a reduzir suas exigências para retomar as negociações políticas com Israel.

Segundo o jornal "Ha'aretz", Washington exige a Israel que se comprometa ao fim da construção nas colônias judaicas por um período de um ano, enquanto Netanyahu só está disposto a conceder até seis meses.

Ontem à noite, em entrevista à televisão israelense, Netanyahu deixou claro que se "congelar" a atividade nos assentamentos "significa zero construção", então "certamente" não haverá acordo.

"Há 2,4 mil casas atualmente em construção e outras 500 aprovadas. Querem chamar isso de 'congelamento'? Eu não chamo assim.

Chamo de arrefecimento na construção e estou disposto a fazer isso para ajudar o processo (diplomático) e, em paralelo, preservar a vida normal dos residentes" dos assentamentos", disse.

A Casa Branca trabalha contra o relógio para que Netanyahu, Abbas e Obama retornem à mesa de negociações, com uma reunião na próxima semana em Nova York, durante a reunião da Assembleia Geral da ONU.

Após a reunião em Ramala, fontes oficiais palestinas disseram à edição digital do jornal "Yedioth Ahronoth" que as possibilidades de que o encontro finalmente ocorra são poucas.

Uma fonte oficial da ANP reconheceu ao jornal "The Jerusalem Post" que Abbas estuda ir ao encontro de Nova York apenas devido à pressão de Washington.

Ontem à noite, Netanyahu se mostrou pouco entusiasmado a respeito: "Se será, será. Se não, não. Eu não pedi a reunião nem coloquei condições para o diálogo". EFE nm-ap/an

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