A Aeronáutica e a Marinha iniciaram nesta quinta-feira o quarto dia de buscas pelo avião da Air France desaparecido sobre o Atlântico com 228 pessoas a bordo, enquanto o mistério sobre o sumiço da aeronave prossegue, com novas informações a cada dia.

Diretores da Air France informaram aos familiares que esperam no aeroporto francês Charles de Gaulle notícias sobre as investigações que não há esperanças de encontrar sobreviventes.

O diretor geral da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, e o presidente da companhia aérea, Jean-Cyril Spinetta, se reuniram com os parentes dos passageiros em um hotel próximo do aeroporto Charles de Gaulle na quarta-feira e informarma que "não há esperança de sobreviventes", segundo o porta-voz Guillaume Denoix de Saint-Marc.

Muitos familiares das 72 vítimas francesas do Airbus da Air France que caiu no Oceano Atlântico na segunda-feira permaneciam nos hotéis próximos ao aeroporto Charles de Gaulle com esperanças de receber notícias sobre os parentes.

A imprensa brasileira destaca nesta quinta-feira uma sequência de alertas que teriam sido enviados automaticamente pelo avião nos minutos anteriores à tragédia. Até o momento os alertas não foram confirmados pelas partes envolvidas.

Segundo o jornal O Globo, o avião emitiu um alerta de falha generalizada nos sistemas elétricos e de controle, e às 23H14 de domingo indicou velocidade vertical antes de desaparecer dos radares.

O Escritório de Investigação e Análise francês (BEA), responsável pelas investigações técnicas da tragédia, afirmou apenas que não faria comentários sobre a versão.

Já o jornal francês Le Monde, que cita fontes ligadas às investigações, afirma que o Airbus A330 da Air France voava a uma velocidade incorreta.

A Airbus, que construiu a aeronave que decolou do Rio de Janeiro no domingo com destino a Paris, deve publicar uma recomendação, com a autorização do BEA, destinada a todas as companhias aéreas que utilizam o A330, segundo o jornal.

A recomendação permitirá à empresa recordar que "no caso de condições meteorológicas difíceis, a tripulação deve conservar a potência dos motores e o ângulo correto para manter a aeronave na linha de voo", acrescenta o Le Monde.

Procurada pela AFP, a construtora aérea não comentou a notícia e afirmou que o BEA deve ser consultado.

"Cada vez que acontece um acidente, é imperativo que o construtor informe a todos os usuários do tipo de aeronave envolvido sobre eventuais procedimentos específicos a colocar em prática ou eventuais controles das aeronaves", afirmou à AFP uma fonte ligada a Airbus.

"Estes procedimentos são validados pelas autoridades a cargo das investigações de acidentes, neste caso preciso o BEA, e se chamam AIT (Accident Information Telexes)", completou a fonte.

Uma outra pista surgiu na Espanha, onde um piloto da companhia aérea Air Comet que fez o voo Lima-Madri na madrugada de segunda-feira afirmou ter visto um "forte e intenso lampejo de luz branca" na zona onde a aeronave pode ter caído.

O comandante do voo 974 da Air Comet redigiu um relatório no qual descreveu o que viu no momento e submeteu o mesmo à diretoria da companhia, a Air France e à Direção Geral Espanhola de Aviação Civil, segundo o jornal El Mundo.

"De repente, observamos ao longe um forte e intenso lampejo de luz branca que assumiu uma trajetória vertical que se desvaneceu em seis segundos", descreveu o piloto.

O co-piloto e uma passageira também foram testemunhas, segundo o jornal.

No momento, o avião da Air Comet estava em uma latitude de sete graus ao norte do Equador e a uma longitud de 49 graus ao oeste, enquanto o avião desaparecido, que cobria a rota Rio-Paris, estava no Equador e 30 graus ao oeste, acrescenta o El Mundo.

"Pela coincidência da hora e do local, ponho a seu conhecimento estes fatos caso sejam de utilidade no esclarecimento do ocorrido", afirma o piloto no relatório.

Segundo o jornal El Mundo, "o informe deste piloto coloca sobre a mesa uma das hipótesis citadas como causa do acidente: a explosão de uma bomba a bordo do avião".

No Brasil, um avião radar R99 manteve a operação noturna para tentar de identificar mais destroços do Airbus, com prioridade para a caixa-preta. Durante a manhã entraram em operação aviões Hércules C-130 brasileiros, um Orion P-3 americano e um Falcon 50 francês.

Dois navios da Marinha já operam nesta quinta-feira na região onde a Força Aérea identificou destroços do avião na quarta-feira, em uma área circular de 5 km de raio.

Para o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a mancha de combustível no mar significa que é improvável a hipótese de fogo ou explosão.

A zona de busca foi limitada a um raio de 200 km a partir do último ponto de contato com o avião desaparecido.

A Air France divulgou na noite de quarta-feira os nomes de 53 dos 59 brasileiros que viajavam no voo AF-447, após receber a autorização dos familiares.

O voo AF 477 tinha 228 pessoas a bordo de 32 nacionalidades, incluindo 72 franceses e 59 brasileiros.

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