Mistério de Chávez sobre ida a cúpula causa expectativa no Peru

O suspense provocado pelo governo da Venezuela em torno da participação do presidente Hugo Chávez na 5ª Cúpula de Chefes de Estado da América Latina, Caribe e União Européia (AUC-UE), em Lima, no Peru, se tornou motivo de debate para os peruanos e tem sido destacado na imprensa local. Vem ou não vem?, diz o título de uma reportagem do jornal Correo desta quarta-feira.

BBC Brasil |

No telejornal de um dos canais de televisão a incerteza sobre a participação de Chávez também foi destacada.

Não é à toa que a presença do presidente venezuelano é motivo de discussão no Peru. As últimas participações de Chávez em encontros internacionais foram marcadas por polêmicas.

A última contenda foi com o rei da Espanha, Juan Carlos I, que disparou um "Porque não te calas?", durante a Cúpula Iberoamericana realizada em novembro do ano passado, quando Chávez tentava interromper o primeiro-ministro espanhol José Luiz Zapatero.

O debate sobre a participação do mandatário venezuelano, crítico do modelo de abertura econômica que marca parte dos debates da Cúpula, também está nas ruas.

O taxista Luis Marin acredita que o mandatário não perderá a oportunidade de participar da Cúpula.

"Aposto com você que ele vem. Se vem o Evo (Morales) e o (Rafael) Correa, o Chávez vem também. São os únicos capazes de falar umas boas verdades nesses encontros", disse o taxista. "Ainda mais agora que a alemã brigou com ele."
"Ela (Angela Merkel) vem atirando pedras aqui, não sei as razões", disse Chávez nesta quarta-feira, na véspera da chegada da chanceler alemã para participar da Cúpula em Lima.

Essa foi a última farpa de uma briga que começou no fim de semana. Em entrevista, Merkel disse que Chávez não era a única voz da América Latina e que tampouco representava os interesses de todos os países da região.

O presidente venezuelano considerou as declarações como "um chamado a isolar a Venezuela" e chegou a dizer que o partido de Merkel, a União Democrata Cristã, era parte "do mesmo grupo direitista que apoio Hitler e o fascismo".

Resposta enérgica
O presidente do Congresso peruano Luis González Posada disse que não permitirá "excessos" de Chávez e advertiu que o parlamento estará pronto para responder "energicamente", sem detalhar como seria essa resposta.

"Espero que não haja frases pouco gratas do senhor Chávez, porque qualquer frase dessa natureza no Peru terá uma resposta enérgica", disse Posada.

"Chávez deve ser respeitoso a Peru porque é evidente que não compartilhamos seu discurso", acrescentou.

A chancelaria venezuelana disse no início da semana à BBC Brasil que Chávez não participaria do encontro. No entanto, todo o esquema de segurança que costuma acompanhar o presidente venezuelano já está instalado em Lima.

Se comparecer à Cúpula, Chávez deverá viajar no final da tarde desta quinta-feira, depois de uma entrevista coletiva com a imprensa estrangeira convocada para o meio-dia em Caracas.

"Se não vier, não vai ter graça nenhuma", brinca a estudante Maria Hernandez.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG