Depois de uma crise política com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, a missão humanitária que resgatará o ex-governador colombiano Alan Jara deixou o aeroporto de Villavicencio na manhã desta terça-feira rumo a um local desconhecido onde as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) devem libertar o refém.

Trata-se de uma libertação unilateral e incondicional por parte da guerrilha, que, na opinião de analistas, pretende abrir novos espaços de diálogo político em meio a um processo de enfraquecimento militar do grupo.

O helicóptero brasileiro, cedido à operação, partiu levando a bordo a senadora Piedad Córdoba, principal mediadora com a guerrilha, membros do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e militares do Brasil.

O resgate de Jara, programado para segunda-feira, esteve a ponto de fracassar devido a desentendimentos entre o governo e o movimento Colombianos pela Paz, promotor do diálogo que permitiu a possibilidade de libertação do novo grupo de reféns.

Ex-governador do departamento (Estado) de Meta, Jara, de 51 anos, foi seqüestrado em 15 de julho de 2001, quando viajava em um carro das Nações Unidas no interior do Estado. Na ocasião, as Farc acusaram Jara de ter vínculos com paramilitares.

Durante o cativeiro, as Farc revelaram algumas provas de vida do ex-governador, nas quais ele revelou que dava aulas de inglês e russo a seus companheiros de cativeiro.

Jara pertence ao grupo de reféns que as Farc consideravam passíveis de troca por guerrilheiros presos em um suposto acordo humanitário com o governo, cujo diálogo não tem avançado.

Sobrevôos

A crise entre Uribe e o movimento Colombianos pela Paz teve início logo depois do resgate pela missão humanitária de quatro oficiais no último domingo.

Ainda no meio da selva colombiana, o jornalista Jorge Botero, que acompanhou a missão, denunciou que, no local onde foram libertados os reféns, houve sobrevôos de aeronaves do Exército, o que teria desrespeitado um prévio acordo de paralisação das atividades militares na área de resgate dos reféns.

Em seguida, Botero teria facilitado a comunicação telefônica entre um membro das Farc com o canal de televisão Telesur.

Na entrevista, o guerrilheiro disse que houve enfrentamento com as Forças Armadas, resultando na morte de um rebelde e no desaparecimento de outro. Essas declarações levaram a entender que o cessar-fogo de 36 horas anunciado pelo governo não teria sido cumprido.

Irritação

Uribe se irritou com as declarações e, na madrugada de segunda-feira, decidiu proibir a participação dos membros do grupo Colombianos pela Paz, incluindo a senadora Piedad Córdoba, nos próximos dois resgates, previstos inicialmente para segunda-feira e quarta-feira.

O presidente colombiano - que chegou a admitir que houve sobrevôo das aeronaves do Exército, mas a uma distância pré-acordada - autorizou o acesso apenas para a Cruz Vermelha e para a missão brasileira que presta apoio logístico nos novos resgates.

Mas, horas depois, Uribe voltou atrás em parte de sua decisão, ao permitir a participação de Córdoba na operação reiniciada nesta segunda-feira.

Os jornalistas Botero e Daniel Samper, porém, permaneceram com acesso vetado ao helicóptero de resgate.

De acordo com o jornal El Tiempo, a pressão de familiares de Jara e do deputado Sigifredo López, que deverá ser libertado na quinta-feira, teria levado o presidente colombiano a retroceder em sua decisão.

O governo colombiano vetou também a entrada de jornalistas ao aeroporto de Villavicencio, base das atividades da missão humanitária, alegando questões de segurança.

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