Missão médica é aguardada enquanto Farc anunciam que não libertarão reféns

(atualiza com comunicado das Farc nos parágrafos 5 a 8) Fernando Muñoz San José del Guaviare (Colômbia), 3 abr (EFE).- As autoridades do departamento de Guaviare (sudeste da Colômbia) estão prontas para receber a missão médica que dará assistência à ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) desde 2002.

EFE |

O governador de Guaviare, Óscar López, disse hoje à Agência Efe que as medidas de segurança no aeroporto da capital do departamento e em seus arredores foram reforçadas diante da possível chegada do avião francês que aterrissou na base militar de Bogotá nesta quinta-feira.

Além disso, as autoridades regionais têm um hospital preparado caso seja solicitado pela missão médica liderada pela França para dar atendimento a Betancourt e a outros seqüestrados pelas Farc.

A política franco-colombiana está no grupo de 40 reféns que os rebeldes pretendem trocar por quinhentos presos, mediante a negociação de um acordo humanitário com o Governo do presidente colombiano Álvaro Uribe.

As Farc anunciaram hoje, por meio de um comunicado assinado por Rodrigo Granda, conhecido como "o Chanceler", e Jesús Santrich, do bloco Caribe da guerrilha, que não libertarão de maneira unilateral outros reféns, a não ser mediante a negociação de um acordo de troca em uma zona desmilitarizada.

"Não é admissível que nos peçam mais gestos de paz", afirmaram os líderes rebeldes em uma nota publicada pela "Agência Bolivariana de Imprensa" ("ABP") em seu site, na qual não se referiram à missão médica liderada pela França.

Salientaram que "só como conseqüência de uma troca de prisioneiros sairão livres aqueles que estão reféns em nossos acampamentos", ou seja, os 40 reféns que as Farc pretendem trocar por 500 rebeldes presos, entre eles "Simón Trinidad" e "Sonia", extraditados aos Estados Unidos.

Segundo os porta-vozes rebeldes, nenhum dos seqüestrados "está em piores condições que ambos os extraditados ou muitos dos dirigentes políticos e líderes populares que foram presos sem ser guerrilheiros".

As várias versões sobre o estado de saúde de Betancourt - que estaria sofrendo de leishmaniose, hepatite B e malária - precipitaram a missão francesa, da qual participam também Espanha e Suíça, formando um comitê internacional autorizado pelo dirigente colombiano como facilitador de negociações com a guerrilha.

Uribe recebeu hoje na Casa de Nariño (sede do Executivo em Bogotá) os embaixadores da Espanha, Andrés Collado, e da França, Jean Michel Marlaud, além de um delegado suíço, que lhe deram os detalhes da operação.

O presidente colombiano prometeu a seu colega francês, Nicolas Sarkozy, facilitar a missão médica com a suspensão de ações militares na região onde deverá acontecer.

Desde a manhã de hoje, o aeroporto de San José del Guaviare esteve tomado por militares e funcionários regionais, na expectativa pela chegada da missão humanitária, que avançará assim que seus responsáveis receberem dos rebeldes as coordenadas do local onde deverá ser realizada.

O governador de Guaviare disse que as autoridades regionais "estão prontas" para atender e colaborar com a missão, e que dispõem de toda a infra-estrutura no aeroporto e na cidade para garantir seu êxito.

"Temos um hospital que está preparado para atender a Betancourt, caso seja necessário", disse López.

Os responsáveis pela operação devem prestar assistência médica à refém e se possível, a outros seqüestrados no próprio avião francês, que deverá sair de Bogotá em direção a alguma base militar, segundo o comandante das Forças Militares da Colômbia, o general Freddy Padilla de León.

O oficial indicou que o Governo está em condições de oferecer helicópteros, caso sejam necessários, para transferir os doentes até o avião francês.

Um dos soldados que estão à espera no aeroporto disse à Efe que o movimento de tropas no local é grande, por ser uma zona onde os rebeldes têm forte presença, e por se tratar também de uma região na qual o cultivo de coca aumentou.

Os habitantes do departamento também estão na expectativa da chegada da missão, autorizada por Uribe durante uma conversa telefônica com Sarkozy, na terça-feira passada.

Guaviare é hoje o centro das atenções, depois que as Farc libertaram no departamento cinco ex-parlamentares, além de Clara Rojas, companheira partidária de Betancourt, em missões coordenadas pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez.

Além disso, após sua libertação, o congressista Luis Eladio Pérez assegurou que viu Betancourt, por isso acredita-se que ela esteja nesta região. EFE fer/mac/fb

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