Bogotá, 2 abr (EFE).- A Colômbia anunciou hoje a ativação da missão humanitária organizada pela França para levar até as selvas colombianas assistência médica a Ingrid Betancourt e a outros reféns da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que se encontram doentes.

"A missão está em andamento", anunciou o alto comissário para a Paz, Luis Carlos Restrepo, que na terça-feira negociou com o Governo francês a "parte operacional" da missão.

A campanha foi autorizada previamente pelo presidente colombiano, Álvaro Uribe, que a aprovou durante uma conversa telefônica com seu colega francês, Nicolas Sarkozy, na terça-feira.

Diferentes versões que advertem sobre o crítico estado de saúde de Betancourt - doente de leishmaniose, hepatite B e malária - motivaram a iniciativa, que provavelmente ficará centrada no departamento do Guaviare (Sul), onde se presume que as Farc estejam alojadas com Betancourt e outros seqüestrados.

Essa região, que possui San José do Guaviare como capital, foi o palco das operações humanitárias ocorridas nos dias 10 de janeiro e 27 de fevereiro, durante as quais os rebeldes liberaram seis das 46 pessoas do grupo de seqüestrados com fins de troca por quinhentos de insurgentes presos.

As "ações militares" na região para onde se enviará a missão serão suspensas assim que o Executivo de Bogotá receba as coordenadas correspondentes, conforme Uribe prometeu a Sarkozy.

"O Governo colombiano, certamente, reitera que cumprirá todos os elementos do acordo para esta missão", afirmou hoje Restrepo, porta-voz do Executivo em assuntos de paz.

"Basta simplesmente que seja localizado o local exato onde a missão será enviada para que seja ordenada a suspensão das ações militares", disse o alto comissário em entrevistas com algumas emissoras de rádio da capital colombiana.

É o mesmo procedimento usado para as duas recentes operações lideradas pela Venezuela e que permitiram a libertação unilateral de cinco ex-congressistas e a ex-candidata à Vice-Presidência Clara Rojas, antiga companheira de chapa eleitoral de Betancourt, com quem foi seqüestrada em fevereiro de 2002.

Com isso, será facilitada a entrada e a aterrissagem em território colombiano do avião-ambulância mobilizado por Paris para esta missão humanitária e que, caso seja necessário, poderá se deslocar para a Guiana Francesa.

Na aeronave "estão profissionais de alto nível, com muita capacidade técnica, muito qualificados para prestar qualquer tipo de atendimento, pois é o que se requer diante dos relatórios que recebemos sobre a saúde da doutora Ingrid e dos demais seqüestrados", comentou Restrepo.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) poderá participar desta missão se as Farc, como "parte concernida", assim solicitar, assinalou hoje a chefe da delegação do organismo na Colômbia, Bárbara Hintermann.

A delegada observou que o CICV mantém contatos confidenciais com os rebeldes e que está preparado para "atuar a qualquer momento para fazer uma visita médica aos reféns".

"Esperamos que o esforço que está sendo feito pela França, e que apóia o Governo da Colômbia, tenha sucesso", expressou Restrepo, não sem esquecer que para isso é fundamental o papel da organização insurgente.

As Farc devem entender que é o momento de dar o passo humanitário que todo o mundo pede e, ao mesmo tempo, de abrir o cenário que pode levar a um eventual processo de paz, indicou.

"Esperamos que as Farc também abram o caminho para que a missão possa antecipar sua tarefa. Isso é fundamental", insistiu o funcionário.

A missão humanitária é uma "janela de oportunidade que é aberta (aos rebeldes) para sair deste drama que eles mesmos geraram", apontou o alto comissário para a Paz.

"Não é possível esperar mais", exclamou Restrepo, que esclareceu que um acordo de confidencialidade de Uribe e Sarkozy o impede de informar sobre os "avanços de tipo operacional" desta missão. EFE jgh/fb

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