Missão humanitária para libertar reféns das Farc supera 1ª crise

Villavicencio (Colômbia), 2 fev (EFE).- A operação para libertar o ex-governador colombiano Alan Jara, sequestrado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), começará na terça-feira, após a senadora Piedad Córdoba, que faz parte da missão humanitária, e o presidente Álvaro Uribe terem superado a primeira crise.

EFE |

A confirmação foi feita pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e pela própria Córdoba, interlocutora com as Farc.

Após a bem-sucedida entrega, no domingo, de três policiais e um soldado sequestrados à missão, Uribe decidiu que a senadora não deveria participar das próximas fases do plano, que inclui a libertação de Jara e do ex-deputado de Valle Sigifredo López, reféns desde 2001 e 2002, respectivamente.

O motivo foi a denúncia feita por um membro do grupo Colombianos pela Paz e integrante da missão humanitária, o jornalista Jorge Enrique Botero, da realização de supostos sobrevoos militares na área onde as Farc entregaram os reféns.

Por intermediação do CICV, Uribe retificou hoje sua decisão e autorizou a senadora a continuar na operação, mas não as testemunhas humanitárias, entre elas Botero.

"O presidente da República aceitou a solicitação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha para que a senadora Piedad Córdoba acompanhe esta entidade na libertação dos sequestrados", indica um comunicado oficial.

Ao mesmo tempo, o porta-voz do CICV na Colômbia, Yves Heller, informava em Villavicencio, 120 quilômetros ao leste de Bogotá e onde a missão humanitária se concentra, que não era possível hoje fazer a operação de receber o ex-governador.

Heller fez um apelo "à administração prudente da informação" para continuar trabalhando no marco da discrição na qual deve sobressair "a sorte das vítimas".

Após horas de deliberações entre os integrantes da missão, Córdoba anunciou em Villavicencio que os helicópteros brasileiros com os encarregados de receber Jara partirão na terça-feira em direção a um ponto da selva colombiana, sem especificar o local.

Em mensagem conciliadora, Córdoba confirmou que faria parte do grupo, após ter recebido a autorização de Uribe.

"Estamos muito contentes em dizer a vocês que continuamos com esta tarefa de trabalho humanitário no dia de amanhã. Que estaremos saindo muito cedo, às 8h, com a Cruz Vermelha Internacional, a quem agradecemos por todo o esforço", ressaltou.

Também disse que o grupo Colombianos pela Paz tinha "tomado a decisão de não dar declarações sobre nada do que aconteça com o objetivo de levar este processo" à frente.

Córdoba expressou ainda satisfação "pelo dever cumprido" durante o bem-sucedido recebimento, no domingo, dos quatro membros das forças da ordem que as Farc mantinham reféns desde 2007.

"Sem disparar um tiro, sem derramar uma gota de sangue, simplesmente através do diálogo, da palavra, da tolerância, da compreensão, da solidariedade, generosidade, da luta contra a indiferença e contra a indolência que temos e têm muitos neste país alcançamos que eles retornassem", disse a senadora.

Por sua vez, o Governo colombiano ratificou as garantias de segurança e confirmou a suspensão de operações militares ofensivas e a total exclusão do espaço aéreo na zona estipulada com as Farc.

Durante uma visita à esposa do ex-governador de Meta, Claudia Rugeles, em Villavicencio, o comissário governamental de paz, Luis Carlos Restrepo, ofereceu "todas as garantias" e fez votos para que a missão "culmine com rapidez e êxito".

Já o comandante das Forças Militares, general Freddy Padilla, anunciou a ampliação por outras 24 horas do fim das operações onde ocorrerão as libertações.

De acordo com o plano, na terça-feira Jara seria libertado, enquanto na quinta-feira seria a vez do ex-deputado López, os únicos políticos que ainda estão nas mãos da guerrilha.

O soldado William Giovanny Domínguez Castro e os policiais Walter José Lozano Guarnizo, Alexis Torres Zapata e Juan Fernando Galícia Uribe foram entregues no domingo.

As Farc, que, segundo o Governo, ainda têm 700 reféns, anunciaram em dezembro a libertação unilateral destes seis sequestrados. EFE agt/db

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