Missão do Hamas deixa Egito sem chegar a acordo de paz

CAIRO - As negociações da delegação do movimento palestino Hamas com autoridades egípcias para um cessar-fogo durável com Israel terminaram na noite da quarta-feira sem chegar a um acordo, mas o diálogo continua aberto e será retomado nos próximos dias.

Redação com agências internacionais |

Os representantes do Hamas, que controla a Faixa de Gaza há um ano e meio, deixaram hoje Egito após o fim, na quarta-feira à noite, de uma série de reuniões. As negociações acontecem entre o Hamas e Israel separadamente, com mediação egípcia.

Um dos dirigentes do Hamas neste diálogo, Salah al-Bardawil, disse que, apesar de "alguns progressos", as negociações terminaram sem acordo e continuarão no fim de semana ou na segunda-feira.

"Ontem à noite terminou a atual rodada de negociações e decidimos começar outra no domingo ou na segunda-feira, em um novo esforço para resolver os assuntos pendentes", disse Bardawil.

As declarações do dirigente do Hamas contrastam com relatórios publicados nesta quarta-feira no Cairo pela imprensa governamental, reproduzidos também em Israel, sobre um compromisso que teria sido alcançado sobre uma minuta de acordo que estipula um cessar-fogo de um ano e meio.

Não é a primeira vez que a imprensa governamental do Egito informa sobre um suposto acordo nas negociações que duram várias semanas e que depois não é confirmado pelos fatos.

Segundo Bardawil, as rodadas de negociações que aconteceram até agora permitiram superar 80% dos temas que estavam na mesa de diálogo.

"Não queremos repetir os mesmos erros que cometemos para a última trégua, quando Israel a descumpriu", acrescentou o dirigente do Hamas, referindo-se ao cessar-fogo de seis meses que terminou em 19 de dezembro do ano passado.

Homem passa por construção destruída em Gaza
Homem passa por construção destruída em Gaza / AP

Trégua frágil

A missão do grupo islâmico, formada por membros que vivem em Gaza e no exílio, chegou ao Egito há três dias para se reunir com o chefe da mediação egípcia e diretor dos serviços de inteligência, Omar Suleiman.

O objetivo mais importante é consolidar o cessar-fogo que começou em 18 de janeiro, após três semanas de ataques israelenses e uma frágil resposta do Hamas em Gaza.

No conflito, morreram quase 1,4 mil palestinos, segundo fontes médicas de Gaza.

Abertura das fronteiras

Segundo o negociador palestino, sua equipe tinha definido a possibilidade de assinar uma trégua de um ano ou de um ano e meio em troca da abertura das passagens fronteiriças que ligam a Faixa de Gaza a Israel e ao Egito.

"Está claro que Israel quer uma trégua permanente em troca de nada. Isso significaria o final da resistência", acrescentou Bardawil, por telefone.

Israel propôs a criação de uma zona desmilitarizada de meio quilômetro entre o Egito e a Faixa de Gaza para evitar o tráfico de armas e condicionou a reabertura da fronteira à libertação do soldado israelense Gilad Shalit, capturado por facções palestinas em junho de 2006.

"Dissemos (aos mediadores egípcios) que isso é inaceitável", disse o responsável do Hamas, em relação às exigências israelenses. O Hamas insiste em que o tema do soldado Shalit seja negociado separadamente ao acordo sobre o cessar-fogo.

Bardawil disse que, nas negociações, falou-se também sobre a reabertura da passagem fronteiriça de Rafah, entre Egito e Gaza, a única que não passa por Israel. Esta passagem está fechada há um ano e meio, e só é aberta esporadicamente por razões humanitárias.

"Dissemos (aos mediadores egípcios) que há assuntos humanitários que deveriam ser abordados, e eles (os egípcios) responderam que haveria facilidades para esses casos", acrescentou. 

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