Missão diplomática não confirma mortes de brasileiros no Suriname

A missão diplomática que visitou Albina, no Suriname, não confirmou a morte de brasileiros em um ataque ocorrido na noite de 24 de dezembro. Segundo comunicado divulgado na noite deste domingo, moradores do local disseram ter testemunhado agressões, mas não fizeram menção a mortes.

Luísa Pécora, iG São Paulo |


O embaixador do Brasil no Suriname, José Luiz Machado e Costa, conversou com cinco brasileiros que se encontravam sob proteção da polícia, a pedido deles próprios, entre eles Denicléa Furtado Teixeira, que estava grávida de três meses. Ferida com gravidade nas mãos, ela perdeu a criança devido ao trauma, mas passa bem.

De acordo com a nota, quatro brasileiros permanecem internados nos hospitais de Paramaribo, capital do Suriname, com ferimentos graves. Consultados pela Embaixada, apenas cinco dos 81 brasileiros que se encontravam no local do ataque e foram levados a Paramaribo quiseram retornar ao Brasil em um avião da FAB .

Neste domingo, o padre brasileiro José Vergílio, que visitou o local, relatou que sete pessoas morreram em consequência do ataque . A informação, porém, não foi confirmada em nenhum momento pela Embaixada do Brasil, que falou em 25 brasileiros feridos, sendo sete em estado grave, e um surinamês morto.

Ainda segundo o padre, que classificou o fato como "muito grave", as vítimas do ataque estão instaladas em hotéis e outros locais providenciados pelo governo do Suriname e recebem atendimento do Exército e de voluntários. "O governo surinamês prestou ajuda a essas pessoas desde o primeiro momento e já pediu desculpas formalmente aos brasileiros", afirmou o padre. "Há relatos terríveis", afirmou Vergílio.

Divulgação/ radiokatolica.com
Destruição em Albina

Destruição em Albina

No sábado, a ministra interina dos Negócios Estrangeiros no Suriname, Jane Aarland, afirmou ao governo do Brasil que tomará todas as medidas possíveis para garantir a segurança dos brasileiros no país . "O Suriname vai enviar todos os esforços para garantir a segurança e integridade dos brasileiros", afirmou em conversa com o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota.

Albina tem cerca de cinco mil habitantes e é o principal ponto de travessia entre o Suriname e a Guiana Francesa. Segundo o embaixador do Brasil no Suriname, José Luiz Machado e Costa, a maioria dos cerca de 2 mil brasileiros em Albina se dedicaria ao garimpo.

O caso

Um grupo de brasileiros foi atacado, na véspera do Natal, com machados e facões, após uma briga que começou durante uma festa na qual havia mais de mil pessoas reunidas.

Durante a briga, um brasileiro teria esfaqueado e matado um surinamês. Em represália pelo assassinato, cerca de uma hora após a morte do morador local, a comunidade brasileira foi atacada. Um padre afirma que foram usados machados e facões contra os brasileiros.

De acordo com informações do governo surinamês, durante o confronto, ao menos 20 mulheres foram estupradas e mais de 120 pessoas tiveram que ser retiradas às pressas da cidade. Imigrantes de origem chinesa, donos de lojas na região, também teriam sido vítimas dos ataques. Vários pontos comerciais foram saqueados e queimados.


Ver  Albina - Suriname em um mapa maior

Com reportagem de Camila Nascimento e informações da BBC

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