Missão de Clinton pode facilitar diálogo direto EUA-Coreia do Norte

A surpreendente visita do ex-presidente americano Bill Clinton à Coreia do Norte e o indulto às jornalistas americanas detidas podem levar a um diálogo direto entre os dois países e apaziguar as tensões regionais, afirmaram nesta sexta-feira inúmeros analistas.

AFP |

Os analistas sul-coreanos viram a gestão de Bill Clinton e seus resultados como algo positivo, mas os jornais advertiram que o governo conservador da Coreia do Sul deveria ter cuidado e não ficar à margem se os vínculos entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos se fortalecerem.

Cheong Seong-Chang, do Instituto Sejong, afirmou que a visita de Bill Clinton foi um jogo no qual as duas partes "só podiam sair ganhando", dado que os EUA conseguiram liberar suas jornalistas e Kim demonstrou que continua segurando as rédeas apesar de seus problemas de saúde.

"A Coreia do Norte não tem mais cartas depois de seus testes nucleares e seus testes de mísseis", disse Cheong à AFP. "É provável que pense que chegou a hora de dialogar, e a viagem de Bill Clinton foi oportuna", acrescentou.

"É provável que ambas as partes tenham chegado a um consenso sobre a necessidade de deter a escalada das tensões", destacou.

O professor Koh Yu-Hwan, da Universidade de Dongguk, destacou que o resultado desta viagem foi "em geral positivo" para ambas as partes, embora a Coreia do Norte tenha ganhado mais "utilizando-o para propaganda política".

Ele afirmou que a viagem de Bill Clinton deu a Washington uma oportunidade sem precedentes de ter uma ideia do que Kim e os outros dirigentes norte-coreanos pensam.

A Coreia do Norte melhorou sua imagem. Kim fortaleceu sua legitimidade e demonstrou que sua liderança continua sendo firme, insistiu este analista.

"Não haverá uma virada rápida, bem radical, nas relações somente por causa da viagem de Bill Clinton, mas a Coreia do Norte já pode acenar um ramo de oliveira, sem aumentar ainda mais as tensões", disse Koh.

"Levará tempo, mas a viagem aparentemente ajudará a criar um novo estado de ânimo para o diálogo", acrescentou.

Daniel Pinkston, analista do International Crisis Group, disse que "esta visita revela informação sobre as intenções do Norte".

"Este é um passo necessário, mas não suficiente para resolver problemas", disse, acrescentando que está "prudentemente otimista".

Chosun Ilbo, o jornal de maior circulação na Coreia do Sul, afirmou que esta visita abre caminho para uma nova era nas relações entre estados Unidos e Coreia do Norte.

"É apenas uma questão de tempo para ver o começo das negociações bilaterais Estados Unidos-Coreia do Norte, embora não imediatamente", afirmou um editorial.

Entretanto, Chosun Ilbo advertiu que "Ninguém pode negar que a Coreia do Sul é a parte mais importante envolvida na questão da Península Coreana. Toda decisão tomada sobre a península na ausência da Coreia do Sul será inevitavelmente nula e sem efeito".

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