Missão da Unasul descarta participação de brasileiros em massacre de Pando

La Paz, 4 nov (EFE) - A Comissão da Verdade criada pela União de Nações Sul-americanas (Unasul) para investigar o massacre ocorrido em setembro na região boliviana de Pando descartou hoje a atuação de brasileiros, peruanos ou venezuelanos no ataque. O chefe da missão, o argentino Rodolfo Mattarollo, fez a afirmação em entrevista coletiva que encerrou o trabalho de campo realizado desde meados de setembro. Os delegados da Unasul começaram hoje a voltar a seus países para elaborar o relatório final do trabalho, cuja redação será feita em Buenos Aires, a sede da coordenação da missão. A Comissão da Verdade investigou a violência armada registrada em 11 de setembro em Porvenir, na região amazônica de Pando, norte do país, onde morreram pelo menos 18 pessoas no pior dos episódios do conflito político registrado na Bolívia durante esse mês. Na época, o Governo boliviano denunciou a presença de sicários brasileiros e peruanos no massacre, enquanto a oposição disse que cinco venezuelanos morreram nos ataques. Perguntamos expressamente (às testemunhas) e nos responderam unanimemente que não consta essa participação, disse Mattarollo. Há afirmações que são inverossímeis a nosso julgamento. De acordo com nossa convicção moral, (.

EFE |

..) de acordo com o que é racional, mas que é uma interpretação submetida à crítica saudável, não encontramos uma só resposta que indique semelhante participação", acrescentou.

A missão explicou que ocorreu um "massacre" em Pando, no qual 18 pessoas morreram, mas acrescentou que é possível que existam mais vítimas, porque vários camponeses fugiram dos disparos e cruzaram um rio que poderia ter levado mais corpos.

Mattarollo disse também que não há como "falar de desaparecidos", mas que o grupo continua buscando informação sobre o retorno a suas comunidades de pessoas que participaram desses fatos.

Além disso, continua tentando obter imagens dessa fuga pelo rio que foram divulgadas pelo Governo para submetê-las a uma perícia técnica.

O relatório assinalará também "um mapa de responsabilidades" de todos os atores do conflito, sem especificar delitos, dado que a comissão considera que é parte de seu trabalho estabelecer a verdade nesse sentido e fornecer à luta contra a impunidade.

Nesse sentido, o chefe da missão antecipou que "um dos elementos de julgamento" que o impressionou foi "a passividade das forças policiais" com o que estava acontecendo nesse dia.

Ele destacou a "rapidez", o profissionalismo técnico na análise do ocorrido e a "imparcialidade" em seu trabalho, que incluiu entrevistas com todos os atores do conflito, incluindo o ex-governador regional de Pando Leopoldo Fernández, detido em uma prisão de La Paz e acusado pelo Governo de provocar o massacre.

Também foram entrevistados os opositores que fugiram ao Brasil, muitos dos quais solicitaram asilo político, e com os confinados em um quartel nos arredores da cidade de El Alto, detidos devido à vigência do estado de sítio em Pando.

A avaliação final será entregue em poucas semanas à presidente do Chile, Michelle Bachelet, que, em 15 de setembro, reuniu os líderes da Unasul para respaldar o líder boliviano e aprovar a criação dessa comissão investigadora. EFE ja/db

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