Missão da ONU no Haiti deve ser ampliada, diz Amorim

Por Natuza Nery e Raymond Colitt BRASÍLIA (Reuters) - O ministro das Relações Exteriores do Brasil, embaixador Celso Amorim, instou nesta quinta-feira a comunidade internacional a unir esforços para reconstruir o Haiti e defendeu que a missão da Organização das Nações Unidas (ONU) no país seja ampliada.

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Ele apoiou a realização de uma conferência entre nações doadoras nas próximas semanas como forma de garantir ajuda financeira e ponderou que a missão de paz da ONU, a Minustah, precisa ser revista.

"O Conselho de Segurança da ONU deveria o quanto antes examinar a situação", disse o chanceler em entrevista à Reuters. "Temos que facilitar os trabalhos que vão além daquilo que é pura e simplesmente a manutenção da ordem no sentido tradicional."

O Brasil lidera a missão de estabilização criada em 2004 para restaurar a ordem no Haiti e tem 1.266 militares no país. A Minustah tem contingente de cerca de 9.000 pessoas, sendo pouco mais de 7.000 militares.

Na terça-feira, o país foi destruído após um terremoto de magnitude 7, que matou dezenas de milhares de pessoas e dizimou a já precária infraestrutura da nação caribenha.

Para Amorim, a conferência de doadores seria útil para canalizar recursos e executar um plano de recuperação.

"Acho que tem que ampliar, porque você tem um desastre humanitário que veio se somar a uma situação de segurança", afirmou.

Como a ONU vai operar isso, diz ele, é algo que compete ao órgão decidir se amplia seu papel por meio de mandato da Assembleia Geral ou por adaptação do mandato do Conselho de Segurança. O atual mandato da missão é garantir a paz e a segurança no país.

RISCO NO HAITI

Amorim disse que não há tempo a perder. Segundo ele, as condições de governo devem ser restabelecidas para proteger a instituição Estado.

"O governo haitiano pode estar desarticulado do ponto de vista material neste momento, mas existe um governo constitucional", afirmou.

O Brasil --que perdeu cidadãos no desastre-- foi um dos primeiros países a anunciar uma contribuição importante de recursos, de 15 milhões de dólares. Amorim estima a necessidade de "muito dinheiro" e a atenção dos líderes mundiais para colocar o Haiti de pé.

O número de mortes confirmadas entre os militares brasileiros que atuam no Haiti subiu para 14, informou o Exército nesta quinta-feira. Com isso, chegam a 15 as mortes de brasileiros pelo terremoto.

Além dos militares, que faziam parte da missão de paz, a fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, também morreu na tragédia. Ela visitava o país para uma série de palestras.

O diplomata brasileiro Luiz Carlos da Costa, funcionário da ONU e segundo civil mais importante na hierarquia da Minustah, continua desaparecido.

No momento do terremoto, Costa estaria dentro do prédio-sede da missão da ONU, que desabou. Outros quatro militares que estavam no local no momento da tragédia também estão desaparecidos.

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