Cartum, 20 jul (EFE).- O enviado das Nações Unidas para o Sudão, Ashraf Qazi, assegurou hoje que a missão da ONU para este país (UNMIS, na sigla em inglês) intervirá na disputada região de Abyei para proteger os civis, caso haja violência.

Qazi deu as declarações em entrevista coletiva realizada em Cartum, dois dias antes de o Tribunal Permanente de Arbitragem de Haia dar seu último parecer sobre as fronteiras definitivas da zona petrolífera de Abyei, disputadas pelo Governo central e pela região autônoma do sul do Sudão.

"Se os atos de violência em Abyei explodirem após a sentença, as forças de paz da UNMIS entrarão na região para proteger os civis, de acordo com o capítulo 7º da Carta da ONU, que permite o uso da força", disse, diante dos temores de que a decisão de Haia gere violência.

A região de Abyei é situada praticamente no limite entre o norte e o sul do país, que mantêm um conflito armado há 21 anos, depois que Governo central impôs a "sharia" ou lei islâmica em todo Sudão, o que causou a insurgência dos rebeldes do sul, de maioria cristã e animista.

A guerra terminou com a assinatura de um acordo de paz, em fevereiro de 2005, que estipulava a realização de um referendo entre os habitantes do sul, para que decidissem se queriam a independência ou permanecer unidos ao resto do país, após um período transitório de seis anos.

Sobre Abyei, o pacto estabelecia a realização de outro plebiscito em 2011, entre sua população, para decidir se a região será integrada ao sul ou ao norte e a formação de uma comissão de especialistas estrangeiros para delimitar suas fronteiras.

No entanto, em julho de 2005, o Governo central rejeitou o trabalho dessa comissão por considerá-la favorável ao sul. EFE jfu/pd

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