Missão da OEA pede presença da oposição em contagem de votos no Paraguai

Assunção, 18 abr (EFE).- A missão de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) insistiu nesta sexta-feira na necessidade da participação de observadores da oposição na transmissão preliminar de resultados do pleito geral deste domingo no Paraguai.

EFE |

A Aliança Patriótica para a Mudança (APC), que apóia a candidatura presidencial do ex-bispo Fernando Lugo, anunciou que não reconhecerá o avanço de resultados do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE), ao argumentar que não foi parte de seu processo de execução.

"Minha recomendação fundamental ao tribunal é que permita a presença de observadores da oposição no TREP (sigla de sistema de transmissão rápida de resultado) no palco físico, para poderem verificar que não haverá irregularidades", disse à Agência Efe a chefe da missão, a ex-chanceler colombiana María Emma Mejía.

Dirigentes da APC explicaram que de dez funcionários do TREP sete pertencem ao Governo e três à oposição, e expressaram seu temor de que o TSJE anteponha dados que favoreçam ao partido do Governo na divulgação dos resultados.

Mejía reafirmou que sua insistência perante o Tribunal foi na difusão dos resultados a partir dos 5% "na medida que forem chegando" até chegar na mesma noite do domingo "aos 92% das projeções".

A ex-chanceler comentou que também reiterou aos partidos e aos principais candidatos para que nenhum deles se autoproclame vencedor até que não haja um resultado consolidado para evitar maior crispação como houve na reta final da campanha.

Os últimos dias da campanha eleitoral foram caracterizados pelos ataques contra Lugo, o favorito em todas as pesquisas, frente a Blanca Ovelar, do Partido Colorado, que está no poder há 61 anos, e o general reformado Lino Oviedo, de um partido criado por ele à margem do oficialismo.

Mejía falou hoje nos escritórios da OEA em Assunção após ser recebida pelo chefe de Estado, Nicanor Duarte, de uma falsa ameaça de bomba no hotel onde se aloja a maior parte da missão.

"Não tenho uma informação da Polícia nem avaliação do que está acontecendo; desconfio dessas ameaças, não acho que sejam certas", expressou a ex-chanceler sobre a ameaça, cuja veracidade foi descartada pelas autoridades.

Além disso, Mejía considerou que os paraguaios viverão eleições "atípicas", já que a Presidência decidirá entre um ex-bispo, a primeira mulher que se apresenta ao cargo na história do país e um militar que foi absolvido de uma condenação por golpe.

O subchefe da missão, o americano Steven Griener, explicou que as denúncias recebidas se referem às deficiências do censo nacional por causa da mudança de eleitores de seus locais de origens e a presença de mortos.

A representante da OEA disse que assegurou a Duarte que entre os 70 observadores do organismo que supervisionarão as eleições não há supostos agitadores para causar atos de violência como sugeriu o chefe de Estado.

Esta semana, Duarte denunciou sem apresentar provas que se Ovelar vencer no domingo agitadores bolivianos, equatorianos e venezuelanos vindos como "observadores" teriam como objetivo criar uma onda de violência, porque a oposição não reconhecerá sua derrota.

Esse tipo de denúncia poderia se tratar "do aquecimento político proselitista", disse Mejía, ao insistir que as ameaças "preocupam nos âmbitos políticos e sobretudo midiáticos". EFE lb/ma

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