Missão da OEA busca saída diplomática para crise em Honduras

Tegucigalpa, 24 ago (EFE).- A missão de chanceleres da Organização dos Estados Americanos (OEA) iniciou hoje a busca de uma saída diplomática para a crise política vivida em Honduras, depois da deposição do presidente Manuel Zelaya, cujos simpatizantes seguem exigindo sua restituição em protestos nas ruas.

EFE |

A delegação, que prevê permanecer hoje e amanhã em Tegucigalpa, realizou suas primeiras reuniões privadas, separadamente, com representantes do atual Governo de Roberto Micheletti e do deposto Zelaya, inclusive com sua esposa, Xiomara Castro de Zelaya.

A família de Zelaya quer que a crise política "termine esta semana", declarou Xiomara aos jornalistas e enfatizou que a única regra possível "é o Acordo de San José", impulsionado pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias, mediador no conflito.

A proposta de Arias estabelece o retorno de Zelaya ao poder, além de outros 11 pontos, e sua aceitação por parte do Governo de Micheletti é o objetivo da delegação de chanceleres, na qual o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, participa como observador.

No entanto, a vice-chanceler do Governo de fato hondurenho, Martha Alvarado, reafirmou que o retorno de Zelaya "não é negociável", "não é um capricho arbitrário", mas "simplesmente uma situação de legalidade".

Segundo o Executivo de Micheletti, não houve golpe de Estado contra Zelaya, mas os militares o derrubaram por mandato judicial por tentar realizar um referendo, que tinha sido declarado ilegal, para promover uma Assembleia Constituinte e houve uma "substituição constitucional" por designação do Parlamento, no dia 28 de junho.

"Meu marido não violentou a Constituição, ele foi claro ao dizer que seu mandato acabaria no dia 27 de janeiro de 2010, em nenhuma ocasião disse que queria a reeleição" através da Assembleia, como insiste o Governo de Micheletti, afirmou Xiomara.

Martha reiterou que, em sua opinião, a missão da OEA "esgota praticamente todas as instâncias às quais se pode recorrer" para resolver a crise.

A vice-chanceler disse que, diante de eventuais sanções, o Governo de Micheletti espera "contar de maneira bilateral" com "quem quiser ajudar" e disse ainda que "o mundo não acaba aqui com a OEA".

A organização suspendeu Honduras de sua formação no dia 4 de julho, por não ter restituído Zelaya no poder.

A missão da OEA recebeu ministros e outros representantes de Micheletti e Zelaya em um hotel em Tegucigalpa, que a Polícia mantém sob forte vigilância.

Uma manifestação de seguidores do presidente deposto foi realizada próximo ao estabelecimento, para respaldar as gestões da missão a favor de Zelaya, disseram porta-vozes do movimento à imprensa.

Adversários de Zelaya, por sua parte, convocaram uma concentração hoje, em frente à Casa Presidencial, para rejeitar seu retorno e apoiar o Governo de Micheletti.

A previsão é que os chanceleres recebam entre hoje e amanhã membros do Parlamento, do Ministério Público, da Suprema Corte de Justiça, do Supremo Tribunal Eleitoral e das igrejas católica e evangélica, além de empresários, sindicalistas, candidatos presidenciais e representantes de outros setores.

A missão é formada pelo secretário de Estado do Canadá para Assuntos Exteriores no continente americano, Peter Kent; e os chanceleres da Argentina, Jorge Taiana; Costa Rica, Bruno Stagno; Jamaica, Kenneth Baugh; México, Patricia Espinosa, e Panamá, Juan Carlos Varela.

Insulza acompanha a delegação, apesar das pressões iniciais contra do Governo de Micheletti, por não considerá-lo parcial no conflito, mas a favor de Zelaya.

A proposta de Arias contempla a criação de um Governo de unidade e de reconciliação nacional, liderado por Zelaya, a antecipação das eleições, a anistia para os crimes políticos, uma comissão de verificação, entre outros aspectos. EFE lam-gr/pd

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