Missão brasileira vai ao Suriname para avaliar conflito

Dois diplomatas, que atuam na Divisão de Assistência Consular, embarcaram por volta das 7h deste domingo para a capital do Suriname, Paramaribo, onde farão uma missão de verificação.

Camila Nascimento, iG São Paulo |

Divulgação/ radiokatolica.com
Carros queimados e casas destruídas após confronto na Albina

Carros queimados e casas destruídas após confronto em Albina

Segundo informações do Itamaraty, os diplomatas, junto com a missão de oito pessoas, entre representantes do governo brasileiro (entre eles, o embaixador do Brasil no Suriname, José Luiz Machado e Costa) e surinamês e da polícia local, vão ao local em que uma comunidade brasileira foi atacada no último dia 24, véspera de Natal, na cidade de Albina, para avaliar a extensão do conflito. O grupo é escoltado pela polícia militar.

Os  brasileiros foram atacados  em represália à morte de um morador local supostamente assassinado por um trabalhador brasileiro. De acordo com o Ministério de Relações Exteriores, cerca de 80 brasileiros, que viviam em Albina foram levados para a capital Paramaribo após o conflito.

Neste domingo, o padre brasileiro José Vergílio, que visitou o local, relatou que sete pessoas morreram em consequência do ataque . Ele afirma que o confronto foi maior do que está sendo divulgado pelo governo. A informação, porém, não é confirmada pela Embaixada do Brasil. Até o meio-dia, a informação da Embaixada é de que o ataque deixou 25 brasileiros feridos, sete em estado grave, e um surinamês morto.

Os diplomatas, que seguiram em um avião com capacidade para 30 pessoas, devem desembarcar em Paramaribo por volta das 14h (horário de Brasília). Lá, eles encontrarão os brasileiros para saber qual assistência eles precisam.

Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), não estão sendo levados alimentos para a população atacada. Não há também confirmação de que os brasileiros feridos sejam trazidos para o Brasil. Depois, a missão seguirá para Albina, que fica cerca de 150 km da capital do Suriname, onde poderão ter mais detalhes do que aconteceu.


Ver  Albina - Suriname em um mapa maior

Albina tem cerca de cinco mil habitantes e é o principal ponto de travessia entre o Suriname e a Guiana Francesa. Segundo o embaixador do Brasil no Suriname, José Luiz Machado e Costa, a maioria dos cerca de 2 mil brasileiros em Albina se dedicaria ao garimpo.

O caso

Um grupo de brasileiros foi atacado, na véspera do Natal, com machados e facões, após uma briga que começou durante uma festa na qual havia mais de mil pessoas reunidas.

Durante a briga, um brasileiro teria esfaqueado e matado um surinamês. Em represália pelo assassinato, cerca de uma hora após a morte do morador local, a comunidade brasileira foi atacada.

De acordo com informações do governo surinamês, durante o confronto, ao menos 20 mulheres foram estupradas e mais de 120 pessoas tiveram que ser retiradas às pressas da cidade. Imigrantes de origem chinesa, donos de lojas na região, também teriam sido vítimas dos ataques. Vários pontos comerciais foram saqueados e queimados.

Divulgação/ radiokatolica.com
Carros queimados durante o confronto em Albina, no norte do Suriname

Carros queimados durante o confronto em Albina, no norte do Suriname

(*com informações da BBC Brasil)

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