Missão AIEA na Síria termina em meio ao sigilo sobre usina nuclear

Damasco, 25 jun (EFE).- A visita à Síria de uma delegação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) terminou hoje sem ter conseguido esclarecer, pelo menos em público, o mistério da suposta usina nuclear de Al-Kibar, bombardeada em setembro do ano passado por Israel.

EFE |

Os inspetores nucleares chegaram a Damasco há quatro dias, após três meses de negociações para que as autoridades sírias lhes permitissem entrar ao país, e a visita aconteceu em meio ao sigilo.

O regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, vetou à imprensa árabe e internacional o acesso à informação relacionada à visita da AIEA, que pode ser decisiva para a Síria, já que esta poderia enfrentar sanções se for descoberto que abriu instalação atômica sem informar as autoridades da ONU.

O jornal pró-governamental "Al Watan" publicou uma informação da agência de notícias russa "RIA Novosti", que tinha o desmentido da Síria sobre um suposto programa nuclear com fins militares, como afirma Washington.

Segundo a agência russa, as acusações dos EUA são "uma ameaça contra a Síria" que poderia se transformar depois em "um objetivo real", e pergunta se Washington ficará satisfeito com o desfecho atual ou continuará pressionando até criar um conflito nuclear como o do Irã ou da Coréia do Norte.

Alguns analistas acham que a Síria permitiu a inspeção para não enfrentar uma situação semelhante à do Irã e mostrar que aposta na diplomacia, que parece estar funcionando a favor de Damasco, pois está permitindo que o país saia de um longo período de isolamento internacional.

Um diplomata de alta categoria relacionado ao organismo nuclear disse que a inspeção da AIEA, liderada por seu subdiretor, Olli Heinonen, foi "boa", mas não deu mais detalhes a respeito.

Washington acusou a Síria de estar construindo em Al-Kibar um reator nuclear com a ajuda da Coréia do Norte para fabricar bombas atômicas, mas Damasco sempre afirmou que é uma instalação militar convencional.

Em 6 de setembro do ano passado, Al-Kibar - situado no deserto nordeste da Síria - foi bombardeado por Israel, mas então o Governo israelense também não deu muitas explicações a respeito. EFE gb/an

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