Proposta de anistia seria a última tentativa de resolver impasse eleitoral antes de intervenção militar contra país

Os presidentes do Benin, Cabo Verde e Serra Leoa e o primeiro-ministro do Quênia chegaram à Costa do Marfim nesta segunda-feira para oferecer imunidade judicial ao presidente em exercício Laurent Gbagbo para que ceda o poder pacificamente a seu rival Alassane Ouattara. No entanto, antes de os líderes chegarem ao país, Gbagbo anunciou que rejeitará o pedido de renúncia para evitar uma intervenção militar.

A missão da Comunidade Econômica dos Estados de África Ocidental (Cedeao) e da União Africana (UA) supõe ser a última tentativa de convencer Gbagbo e evitar uma guerra. "Há indícios de que Gbagbo poderia aceitar uma renúncia, mas ele quer garantias de que não será processado por violações dos direitos humanos quando deixar o poder", disse uma fonte da Cedeao sob condição de anonimato.

Da esq. para dir.: Presidentes do Benin, Boni Yayi, e de Serra Leoa, Ernest Bai Koroma, e o premiê da Costa Rica, Ake N
AP
Da esq. para dir.: Presidentes do Benin, Boni Yayi, e de Serra Leoa, Ernest Bai Koroma, e o premiê da Costa Rica, Ake N
Além disso, Gbagbo quer conservar as contas no estrangeiro que foram bloqueadas, pelo menos nos EUA e União Europeia, e "que seus principais partidários tenham um lugar no novo governo Ouattara", acrescentou a fonte.

A oferta seria a última tentativa de convencer Gbagbo a conceder o poder pacificamente a Ouattara, reconhecido pela comunidade internacional como vencedor do segundo turno das eleições presidenciais de 28 de novembro.

A Corte Constitucional da Costa do Marfim, dirigida por um forte aliado de Gbagbo, reverteu os resultados da comissão eleitoral do país, ratificados pela ONU, que indicavam a vitória de Ouattara. A corte alegou fraude em grande escala. Mais de 170 pessoas foram mortas desde o início do impasse, o que ameaça fazer ressurgir a guerra civil que dividiu a Costa do Marfim em duas partes, de 2002 a 2003.

Os presidentes Yayi Boni, do Benin; Pedro Pires, de Cabo Verde; e Ernest Koroma, de Serra Leoa; estiveram na terça-feira na Costa do Marfim e advertiram Gbagbo de que a Cedeao poderia recorrer ao uso de força militar caso ele não entregasse o poder a Ouattara.

A missão também tem apoio de Raila Odinga, primeiro-ministro queniano, como enviado da UA, que se reuniu no domingo em Abuja com o presidente nigeriano e titular de turno da Cedeao, Goodluck Jonathan, para coordenar suas posições.

O primeiro a chegar a Abidjan nesta segunda-feira foi Odinga e, pouco antes do meio-dia (horário local), chegaram os três chefes de Estado da África do oeste, que por enquanto têm reunião marcada com Gbagbo e posteriormente devem se encontrar com Ouattara.

Nesta segunda-feira, Patrick Achi, porta-voz do governo Ouattara, disse que a delegação africana deve somar todos os esforços para "convencer Laurent Gbagbo". Jonathan, segundo os jornais nigerianos, disse no final de semana que, após a visita, a Cedeao adotará uma decisão definitiva sobre o que fazer na Costa do Marfim, com planos militares de intervenção.

Após o ano-novo, Gbagbo insistiu em dizer que ele é o presidente e voltou a pedir à Operação das Nações Unidas na Costa do Marfim (ONUCI) que saia do país, enquanto o governo Ouattara disse que o objetivo da força é tirar Gbagbo da presidência.

A Costa do Marfim enfrenta a ameaça do reinício da guerra civil (2002-2007) que deixou o país dividido e controlado no sul pelas Forças Armadas e de segurança, leais a Gbagbo, e no norte pelas Forças Novas de Soro, que não se desarmaram após o conflito e respaldam Ouattara. No poder desde 2000, Gbagbo tem o apoio do principal tribunal do país e das Forças Armadas.

O líder dos violentos Jovens Patriotas partidários de Gbagbo, Charles Blé Goudé, ameaçou a segurança na Costa do Marfim e insistiu em acabar com o governo Ouattara.

Se a ameaça se cumprir, a violência poderia atingir todo o país, onde os seguidores de Gbagbo, segundo denúncias da Organização das Nações Unidas (ONU) e do governo Ouattara, também teriam o apoio de milícias e mercenários liberianos para cometer assassinatos, sequestros e outras graves violações dos direitos humanos.

Os EUA e a União Europeia impuseram uma proibição de viagens a Gbagbo e seu círculo de assessores enquanto o Banco Mundial e o banco central regional do oeste da África congelaram suas finanças, numa tentativa de enfraquecer sua posição no poder.

*Com EFE e Reuters

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