(embargada até às 23h de hoje de Brasília) Londres, 19 nov (EFE).- O Grupo Internacional para os Direitos das Minorias (MGR, na sigla em inglês) pediu hoje um maior protagonismo nas decisões internacionais de luta contra a mudança climática para os povos que não têm grande potencial econômico nem político, mas que são os mais afetados pelo aquecimento global do planeta.

Em comunicado, este grupo adverte à comunidade internacional que "um novo acordo sobre a mudança climática se verá seriamente comprometido se os países continuarem excluindo as vozes dos povos mais pobres e marginalizados".

A dez dias da Conferência de Poznan (Polônia), que preparará os trabalhos da Cúpula do Clima da ONU do próximo ano em Copenhague, esta organização alerta que "o processo das Nações Unidas será defeituoso" no caso de as comunidades que sofrem em primeiro lugar as conseqüências da mudança climática não terem nem voz nem voto.

Outros processos intergovernamentais como a Convenção sobre Biodiversidade (CBD) criaram um grupo de trabalho através do qual povos indígenas e comunidades locais podem entrar nos âmbitos internacionais de negociação, afirma o MGR.

Segundo seu diretor-executivo, Mark Lattimer, "não se compreende como os Governos acreditam que eles podem discutir os efeitos da mudança climática e acertar objetivos sem a contribuição de quem já enfrenta os impactos do mesmo." Os objetivos que os Estados decidirão em Copenhague incluem os relacionados com a redução de emissões causadas pelo desmatamento e pela degradação, mas as comunidades que vivem na floresta (em sua maioria povos indígenas) não estão sendo incluídas devidamente nas discussões, diz este grupo.

"Os indígenas se adaptaram durante séculos às mudanças ambientais e estariam dispostos a contribuir substancialmente para a adaptação de estratégias que a ONU tenta incluir em um novo tratado para a mudança climática", disse Lattimer.

O MGR dá como exemplo os esquimós, que sofrem os efeitos do degelo ártico, os povos do leste da África vítimas de longas secas que estão acabando com o pastoreio e os cultivadores de arroz do Vietnã, que viram suas colheitas serem inundadas em conseqüência da alta do nível das águas do mar.

"É dada muita atenção aos danos da mudança climática no meio ambiente, mas não houve suficiente reconhecimento sobre seu impacto nas pessoas", opina Farah Mihlar, autora do relatório do MGR.

"Há comunidades inteiras que poderiam ser perdidas. Culturas, tradições e línguas poderiam desaparecer do planeta", acrescenta.

EFE fpb/ma

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