Ministros tentam romper impasse nas negociações climáticas

Por David Fogarty e Emma Graham-Harrison COPENHAGUE (Reuters) - Ministros tentavam romper um impasse nas negociações climáticas globais na terça-feira, três dias antes do momento em que se pretende que líderes mundiais fechem um novo pacto visando evitar mudanças climáticas perigosas.

Reuters |

Os organizadores das negociações em Copenhague disseram que os ministros do Meio Ambiente vão trabalhar até tarde da noite da terça-feira para tentar superar as grandes divergências, dizendo que a parte principal do trabalho precisa ser concluída antes da quinta-feira, quando cerca de 130 líderes mundiais se juntarão formalmente à conferência que ocorre entre 7 e 18 de dezembro.

As negociações permaneciam em impasse desde o dia anterior, dificultadas por divergências sobre os cortes de emissões a serem feitos pelos países ricos e sobre a meta global de longo prazo de frear a alta das temperaturas globais, que pode desencadear a elevação do nível dos mares, enchentes e secas.

"Vimos avanços significativos em várias áreas, mas não o suficiente. Estamos numa fase muito importante", disse o chefe climático da ONU, Yvo de Boer.

A presidente dinamarquesa das negociações, Connie Hedegaard, disse esperar que o prazo apertado possa acrescentar urgência às negociações e ajudar a romper o impasse.

"É como fazem os escolares. Quando têm um prazo muito longo para entregar uma lição de casa, eles esperam até o último minuto para fazer a lição. Basicamente, é tão simples assim", disse ela.

Líderes empresariais disseram que gostariam de um acordo claro quanto às metas de curto e longo prazo, para que possam fazer investimentos apropriados.

"Ainda faltam muitas questões que provavelmente só serão discutidas ao nível ministerial, e isso nos preocupa", disse Abyd Karmali, chefe global de comércio de emissões no Bank of America Merrill Lynch.

Esboços de textos datados de terça-feira mostravam que os negociadores nacionais tinham retirado os números relativos às metas globais de longo prazo e dos cortes de emissões dos países ricos até 2020 que tinham estado no texto original. Os números poderão ser reinseridos se for alcançado um acordo.

O ministro do Meio Ambiente da Índia, Jairam Ramesh, disse à Reuters que as negociações podem até mesmo desabar devido a questões "sérias" que ainda não foram resolvidas.

"Há confusão e falta de clareza no estágio atual."

"Pode haver um impasse sobre muitas questões. Ainda não temos clareza sobre como vão evoluir os próximos dias", disse ele.

O embaixador brasileiro de mudanças climáticas, Sergio Serra, foi mais otimista: "É possível haver um avanço. Com a pressão do tempo e da opinião pública", disse ele à Reuters.

A expectativa é que os ministros trabalhem até tarde da noite da terça e da quarta-feira. "Ontem nossa equipe ficou aqui até as 3h ou 3h30", disse Serra. Um representante britânico disse que a previsão é que trabalhem até tarde novamente na terça-feira.

"Está claro que os ministros estarão extremamente ocupados e focados nas próximas 48 horas, se quisermos ter os êxitos que estamos tentando alcançar", disse Hedegaard.

"Não é papel (dos líderes mundiais) negociar os textos", disse Serra.

As negociações em Copenhague ainda não chegaram a um acordo sobre financiamento dos países ricos para que o mundo em desenvolvimento ajude a pagar para ajudar os países pobres a se prepararem e a conter as mudanças do clima.

Um jornal japonês disse na terça-feira que o Japão oferecerá 10 bilhões de dólares de ajuda ao longo de três anos, até 2012, para ajudar os países em desenvolvimento a combater as mudanças climáticas, incluindo medidas para proteger a biodiversidade.

A maioria dos países desenvolvidos é a favor de financiamento climático interino de cerca de 30 bilhões de dólares entre 2010-2012 para ajudar os países mais pobres, muitos dos quais afirmam que esse valor é insuficiente.

Outra questão espinhosa é até que ponto os países em desenvolvimento devem ser obrigados a respeitar metas para reduzir o aumento de suas emissões, um processo conhecido como medição, reportagem e verificação (MRV).

"A questão do MRV é um divisor muito sério", disse o representante indiano Ramesh. A questão "pode não soar instigante, mas é muito crucial, porque é ela que vai realmente representar linhas divisórias cruciais para as diferentes partes," disse Hedegaard.

Os cortes nas emissões de carbono pelos países ricos provavelmente terão força de lei.

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