Ministros governistas renunciam em protesto contra golpe na Mauritânia

NUAKCHOTT - Cerca de dez ministros pertencentes ao Pacto Nacional pela Democracia e o Desenvolvimento (PNDD-ADIL), o principal partido no poder na Mauritânia, no noroeste da África, renunciaram, nesta sexta-feira, em protesto contra o golpe militar de quarta-feira.

EFE |

A informação foi confirmada pelo ministro da Descentralização, Yahya Ould Kebd, um dos que deixaram o cargo.

Segundo o agora ex-funcionário, a renúncia coletiva vai ganhar a adesão de outros cinco ministros, pertencentes à Aliança Popular Progressista (APP), que também integra a coalizão governista.


Mapa da Mauritânia

Golpe de Estado

Na quarta-feira, 06, o Exército da Mauritânia anunciou que assumiu o poder, derrubando o primeiro governo democraticamente eleito da história do país. O presidente, Sidi Ould Cheikh Abdallahi, e o primeiro-ministro, Yahia Ould Ahmed El Ouakef, foram presos por homens leais ao um general exonerado pelo presidente, Mohamed Ould Abdelaziz.

Abdelaziz, que era chefe da guarda presidencial até ser afastado, irá chefiar um Conselho de Estado que foi formado para governar a Mauritânia.

O país enfrentava nos últimos dias uma crise política, depois de um voto de desconfiança de parlamentares contra o gabinete de governo. Na segunda-feira, 48 parlamentares abandonaram o partido governista.

Histórico de golpes

A Mauritânia tem uma longa história de golpes de Estado. Abdallahi chegou ao poder em eleições em 2007, dois anos depois de um outro golpe militar.

Os militares iniciaram o golpe depois do decreto presidencial que removeu os militares ser lido em rede nacional de televisão.

Soldados foram para a sede da televisão estatal e da rede de rádio do país, tirando as duas do ar.

Depois militares prenderam o presidente e seu primeiro-ministro, aparentemente sem precisar usar força.

Um anúncio curto anulando o decreto que exonerou os generais foi divulgado pela imprensa estatal. A mensagem afirmou que todos os militares exonerados pelo presidente tinham voltado para seus cargos.

Também segundo o informe dos militares, o presidente Abdallahi não ocupa mais a presidência e o general Abdelaziz iria chefiar o novo Conselho de Estado.

Instabilidade

O golpe ocorreu depois de meses de instabilidade política no país. O presidente Abdallahi desfez duas vezes o gabinete de governo e, com a saída dos 48 parlamentares da coalizão do governo, sua base de poder foi prejudicada.

Abdallahi chegou ao poder com a promessa de iniciar uma nova era de democracia no país.

A Mauritânia é um dos países mais pobres do mundo e também o mais novo produtor de petróleo.

O país coberto por desertos, ex-colônia da França com mais de três milhões de habitantes, conta com a renda do setor petrolífero.

A história do país é descrita como uma longa sucessão de golpes, com os militares envolvidos em quase todos os governos desde a declaração de independência do país em 1960.

(*Com informações da agência EFE e da BBC)

Leia mais sobre: Mauritânia

    Leia tudo sobre: mauritânia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG