Ministros israelenses exortaram o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, a resistir a pressões do presidente americano, Barack Obama, e defender firmemente os interesses de Israel, após os encontros entre os dois líderes em Washington. Netanyahu esteve nos Estados Unidos por dois dias para tentar por um fim à crise iniciada com os anúncios de novas construções em Jerusalém Oriental, que receberam duras críticas do governo americano.

O premiê disse acreditar que houve progressos nos encontros com Obama e com o enviado especial dos Estados Unidos ao Oriente Médio George Mitchell.

Fontes do governo israelense disseram que ambos os lados teriam concordado na criação de um pacote de medidas que poderiam reavivar negociações de paz com os palestinos.

A Casa Branca não deu detalhes sobre as discussões.

Poucas horas antes do retorno de Netanyahu a Israel, vários dos parceiros do premiê na coalizão governamental deram declarações em tom de desafio ao presidente americano.

"Não somos uma extensão dos Estados Unidos", disse o ministro da Ciência e Tecnologia, Daniel Hershkowitz, do partido da extrema-direita Habait Hayehudi.

"Não queremos brigar com o nosso grande amigo, porém nossa responsabilidade é para com o povo de Israel, somos um Estado independente", acrescentou, "temos que evitar uma situação na qual poderemos fechar o Parlamento e o governo e dar as chaves a Obama".

O vice-primeiro ministro, Silvan Shalom, do partido de Netanyahu, o Likud, disse à radio estatal de Israel, Kol Israel, que "Jerusalém é inegociável e se Netanyahu ceder às pressões de Obama nessa questão, seu governo cairá no mesmo dia".

Shalom, tido como um dos políticos mais moderados do partido governista, também disse que Israel não pode abrir mão da construção em Jerusalém Oriental porque "seria como se estivéssemos abrindo mão do vinculo de 3 mil anos que o povo judeu tem com Jerusalém".

'Ruptura'
A imprensa israelense começa a tratar a crise entre Israel e os Estados Unidos como uma "ruptura".

O site de notícias do jornal Yediot Ahronot anunciou que o gabinete deve se encontrar na noite desta quinta-feira para "discutir a ruptura com os Estados Unidos".

Porém, para o especialista em relações internacionais da Universidade de Bar Ilan, Eitan Gilboa, um rompimento com seu maior aliado pode colocar Israel em risco.

"Uma ruptura com os Estados Unidos é equivalente a um atentado contra a segurança nacional de Israel", disse Gilboa à radio Kol Israel.

A imprensa local também destacou o tratamento dado a Netanyahu pelo presidente americano.

Dov Weissglass, que foi assessor do ex-primeiro ministro Ariel Sharon e o acompanhou várias vezes a Washington, apontou "indícios de extrema frieza".

Weissglass, que presenciou um dos momentos de maior proximidade entre os governos de Israel e dos Estados Unidos, quando havia uma relação de amizade entre Ariel Sharon e George W. Bush, disse à uma rádio israelense que "na Casa Branca existem cinco níveis de proximidade".

Sharon foi recebido por Bush com o nível mais alto, quando foi convidado a visitar sua fazenda particular no Texas.

Em seguida, viria um convite a Camp David, logo depois um convite para jantar, abaixo seria um encontro na Sala Oval com oportunidade para fotografias e em quinto lugar ficaria a maneira como Obama recebeu Netanyahu - sem fotografias e sem qualquer declaração conjunta.

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