Ministros do Hezbollah renunciam e derrubam governo no Líbano

Discordâncias sobre a investigação do assassinato do ex-premiê Rafik Hariri paralisaram o governo de coalizão

iG São Paulo |

Onze ministros do partido xiita Hezbollah e de legendas aliadas renunciaram a seus cargos nesta quarta-feira, derrubando o governo do primeiro-ministro Saad Hariri.

Discordâncias sobre a investigação do assassinato do ex-premiê Rafik Hariri paralisaram o governo de coalizão e desencadearam temores de um conflito sectário no país.

Políticos libaneses disseram na terça-feira que a Síria e a Arábia Saudita foram incapazes de forjar um acordo político a respeito do tribunal da ONU que deve julgar os suspeitos pelo assassinato de Hariri, pai do atual primeiro-ministro. O crime ocorreu em 2005.

Membros do Hezbollah devem ser indiciados pela morte de Hariri, mas o grupo xiita nega qualquer envolvimento e diz que o tribunal da ONU é um "projeto israelense".

Saad Hariri, no entanto, resiste à pressão para rejeitar as conclusões do tribunal.

O ministro cristão Gebran Bassil, aliado do Hezbollah, disse que Hariri rejeitou as exigências de convocar uma sessão de emergência do gabinete para discutir a hipótese, pleiteada pelo Hezbollah, de que o Líbano pare de cooperar com o tribunal especial.

"O período de graça terminou, e o estágio de espera que vivemos sem resultado terminou", disse.

Encontro com Obama

Hariri está nos EUA, onde se encontrou com o presidente americano, Barack Obama. No encontro, os dois líderes se comprometeram a trabalhar pela estabilidade do Líbano, anunciou a Casa Branca.

AFP
Presidente dos EUA, Barack Obama (à dir.), reúne-se com o premiê libanês Saad Hariri na Casa Branca, em Washington
"O presidente e o primeiro-ministro expressaram sua determinação em conquistar a estabilidade e a justiça nesse período de incerteza governamental", indicou a presidência americana em um comunicado.

"(Eles) reafirmaram seu compromisso de fortalecer a soberania e independência do Líbano, pôr em prática todas as resoluções relevantes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas e continuar a ampla aliança de longo prazo entre seus dois países", acrescentou a Casa Branca.

Durante a reunião, Obama ressaltou a importância do Tribunal Especial para o Líbano para frear a era de assassinatos políticos impunes no Líbano, indicou o comunicado.

Os dois líderes abordaram concretamente os esforços da França, Arábia Saudita e outros países para manter a paz no Líbano e garantir a continuação dos trabalhos do tribunal.

Imediatamente após o encontro com Obama nos EUA, Hariri anunciou uma viagem a Paris, onde espera reunir-se com o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

*Com Reuters, EFE e AFP

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