Ministros debatem na OMC, mas diferenças persistem

Por Laura MacInnis e William Schomberg GENEBRA (Reuters) - Economias emergentes como o Brasil e a África do Sul se queixaram na terça-feira da falta de iniciativa dos EUA em questões agrícolas, o que estaria impedindo contrapartidas dos países em desenvolvimento.

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O encontro ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) nesta semana em Genebra está sendo tratado como a 'última chance' da Rodada Doha da abertura comercial global, já que a falta de um acordo pode fazer o processo, lançado em 2001, ficar parado durante mais vários anos, atropelado pelo calendário eleitoral norte-americano.

Na terça-feira, os EUA ofereceram limitar o teto de seus subsídios agrícolas em 15 bilhões de dólares, mas Brasil, Índia e outras grandes economias emergentes exigiram concessões mais generosas, já que a cifra oferecida por Washington ainda representa aproximadamente o dobro dos subsídios efetivamente concedidos atualmente pelos EUA a seus produtores rurais.

'Dentro do que é politicamente viável, 13 [bilhões de dólares] está perto do razoável', disse o chanceler brasileiro, Celso Amorim, para quem o processo avança lentamente. 'E a câmera lenta é melhor que a paralisia completa', acrescentou.

Os participantes dizem haver um acalorado debate também a respeito da abertura de mercados industriais nos países em desenvolvimento.

Para tentar superar as diferenças, o secretário-geral da OMC, Pascal Lamy, decidiu na terça-feira dividir os ministros em grupos menores para discussões mais detalhadas. Vários participantes já estão prorrogando suas reservas de hotel, prevendo que o encontro irá se prolongar além do sábado, como estava previsto.

A representante comercial dos EUA, Susan Schwab, disse que a aguardada proposta norte-americana para os subsídios foi 'uma jogada importante' e que agora cabe aos países em desenvolvimento abrirem suas economias e seus mercados a mais importações.

Os países em desenvolvimento se queixam de que os subsídios dos EUA a seus produtores prejudicam a participação dos agricultores de nações pobres no mercado, reduzindo a oferta de alimentos e contribuindo com a recente inflação global. A União Européia também enfrenta pressão para cortar seus subsídios.

O ministro sul-africano do Comércio, Mandisi Mpahlwa, disse que não é hora para concessões e que seu país quer garantias de proteção às suas indústrias.

A Índia também rejeitou a oferta dos EUA, levando um senador norte-americano a divulgar nota em Washington dizendo que 'se a Índia vai se colocar no caminho da abertura de novos fluxos comerciais, então os negociadores deveriam fazer as malas e ir mais cedo para casa'.

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