Ministros de Turquia e Israel se encontram pela 1ª vez desde ataque

Encontro entre representantes dos dois países ocorre sem conhecimento de chanceler israelense, desatando disputa em Israel

EFE |

O ministro da Indústria de Israel, Binyamin Ben-Eliezer, e o de Assuntos Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, mantiveram uma reunião em segredo para tentar superar a crise entre os dois países após o ataque israelense à frota humanitária que se destinava a Gaza.

O encontro aconteceu na quarta-feira e foi promovido pelo embaixador dos EUA em Ancara e por um empresário israelense com negócios na Turquia. Segundo as imprensa turca e israelense, o local do encontro teria sido Zurique, na Suíça, ou Bruxelas, na Bélgica.

Foi a primeira vez que ministros dos dois países se reuniram desde que comandos israelenses atacaram vários navios que se dirigiam a Gaza com ajuda humanitária, em incidente que causou a morte de nove ativistas turcos em dia 31 de maio e resultou na pior crise diplomática entre os dois países.

AP
Em 1.º de junho, premiê turco, Tayyip Erdogan, criticou ataque de Israel à frota humanitária em discurso no Parlamento
Ben-Eliezer, membro do Partido Trabalhista israelense e com estreitas relações no governo e Exército turcos, tinha solicitado a entrevista há três semanas, mas o primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, não a autorizou porque era "muito cedo".

Na semana seguinte, após encontro com o líder trabalhista e ministro da Defesa Ehud Barak, Netanyahu autorizou o início das gestões que conduziram à reunião de quarta-feira, realizada sob máximo segredo, e sem que o ministro israelense de Assuntos Exteriores, o ultradireitista Avigdor Lieberman, tivesse conhecimento dela.

"O ministro de Exteriores considera muito grave que a reunião tenha sido realizada sem o conhecimento do Ministério, o que supõe um grave dano à confiança entre o primeiro-ministro e o ministro de Exteriores e às normas de governo", comunicou o escritório de Lieberman ao ser informado do encontro. Netanyahu afirmou que o ministro não foi informado com antecedência por "razões técnicas".

Segundo assinalaram fontes diplomáticas em Ancara, o chefe da diplomacia do país reiterou ao representante israelense as já conhecidas exigências de seu país. A Turquia espera que Israel peça perdão pelo incidente, indenize as vítimas, aceite uma investigação internacional sobre o ataque e devolva os navios turcos que seguem em posse de Israel.

Segundo o jornal turco "Aksam", os ministros conversaram brevemente com seus respectivos chefes de governo sobre o resultado das conversas e já teriam marcado uma segunda reunião.

Israel e Turquia estabeleceram uma aliança política, diplomática e militar em meados dos anos 90 A parceria começou a ruir em dezembro de 2008, com a ofensiva israelense "Chumbo Fundido" à Faixa de Gaza, na qual morreram uns 1,4 mil palestinos.

Apoio dos EUA

O presidente dos EUA, Barack Obama, incentivou as primeiras conversas diretas entre Israel e Turquia, afirmou o jornal turco "Hurriyet" nesta quinta-feira. A publicação destaca que, durante a cúpula do G20, realizada na semana passada em Toronto, Obama se reuniu com o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, e expressou a profunda preocupação de Washington pela crise entre os dois aliados americanos.

O jornal sugere que as declarações de Obama foram fundamentais para que o encontro de duas horas e meia entre o turco Davutoglu e o israelense Ben-Eliezer ocorresse.

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