Ministros de Exteriores da UE rejeitam enviar tropas à RDC

Bruxelas, 10 nov (EFE) - Os ministros de Exteriores da União Européia (UE) manifestaram hoje preocupação com a situação na região leste da República Democrática do Congo (RDC), mas os 27 países que fazem parte do bloco não estão dispostos a enviar tropas ao país. O Conselho de Ministros de Exteriores discutiu hoje o conflito no país africano e respaldou, em um documento de conclusões, as negociações diplomáticas desenvolvidas em várias frentes para tentar obter uma solução negociada e duradoura. A UE destacou o fato de a ONU aprovar um novo mandato que reforce a capacidade de ação da Missão de Paz das Nações Unidas na República Democrática do Congo (Monuc), à qual os europeus dariam mais apoio, mas não disse de qual tipo. Essa missão tem atualmente 16.500 soldados, e o departamento de Operações de Paz da ONU pediu na semana passada o envio de cerca de três mil militares e policiais adicionais.

EFE |

O ministro de Exteriores francês, Bernard Kouchner, reconheceu que a situação humanitária "é francamente desastrosa", apesar de haver muitas reservas entre os países do bloco para enviar soldados, e não descartou que possa haver "algumas tropas européias" na missão da ONU.

As opiniões na UE sobre o envio de tropas "são muito reticentes, inclusive negativas", admitiu Kouchner, que exerce a Presidência semestral do Conselho de Exteriores, e que antecipou a possibilidade de 1.200 soldados da Índia participarem da missão.

O ministro francês reconheceu que a Monuc enfrenta dificuldades com o atual volume de tropas no país de dois milhões de quilômetros quadrados.

Ele também ressaltou que, "em um momento dado, as capacidades (militares) européias, distribuídas por todo o mundo, não estão suficientemente disponíveis" para levar soldados também ao país africano.

Só a Bélgica se manifestou a favor de enviar soldados à RDC, algo que não pode fazer sozinha, já que é a antiga potência colonial do país e da vizinha Ruanda, que também está envolvida no conflito, indicaram fontes do bloco, Outros países, como Espanha, Alemanha e Portugal, rejeitaram de forma explícita a possibilidade de lançar uma missão militar própria da UE, acrescentaram as fontes, que insistiram em que a prioridade européia atualmente é apoiar a Monuc e o processo de negociação.

Os ministros do bloco mostraram, em um documento de conclusões, sua preocupação com o aumento dos combates na região leste de Kivu Norte, e pediram para reforçar "as capacidades de ação" da Monuc.

Também condenaram "firmemente" as violações "inaceitáveis" dos direitos humanos que ocorrem ao leste do país, entre elas casos de abusos sexuais e o recrutamento e uso de menores como soldados.

Hoje, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) começou a distribuir 208 toneladas de comida a mais de 17 mil deslocados na RDC que agora se encontram na região de Rutshuru.

Esta zona fronteiriça com Uganda, situada cerca de 100 quilômetros ao nordeste da cidade de Goma, capital da região de Kivu Norte, acolhe milhares de deslocados internos que fogem dos combates que opõem o Exército a forças rebeldes.

Além disso, o CICV retomou a distribuição de ajuda alimentícia na região de Kibati, 15 quilômetros ao norte de Goma. EFE rcf/db

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