Cingapura, 21 jul (EFE).- Os 10 ministros de Exteriores da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) se reúnem hoje, em Cingapura, para buscar acordos, em meio a uma turbulenta fase política e econômica que ameaça seu processo para a formação de uma comunidade regional similar à União Européia.

Integram o bloco regional Mianmar, Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Cingapura, Tailândia e Vietnã.

Durante os próximos quatro dias, os 10 ministros também se reunirão com os titulares de Exteriores de China, Coréia do Sul, Japão, Estados Unidos, Austrália e outros parceiros econômicos da organização regional.

O principal assunto das reuniões que os ministros realizarão ao longo desta segunda-feira, em Cingapura, será a ratificação da carta de princípios fundamentais da Asean, grupo que inclui países comunistas, de corte democrático e um sob regime militar.

A carta de princípios fundamentais, aprovada pelos líderes dos 10 países da Asean em novembro, pede aos países-membros que impulsionem a democracia e o respeito aos direitos humanos.

Por esse motivo, causou estranheza a ratificação da carta por parte da Junta Militar de Mianmar, criticada pela comunidade internacional por suas constantes violações dos direitos humanos.

O ministro de Exteriores de Cingapura, George Yeo, indicou à imprensa que a Asean anunciará oficialmente durante a reunião a adesão de Mianmar à carta de princípios fundamentais, e também lembrou que, em seis meses, expira a prisão da líder do movimento democrático birmanês, Aung San Suu Kyi.

"Segundo a legislação birmanesa, o período máximo de detenção sem julgamento é de um ano, quando aprovado pelo Ministério do Interior, e mais cinco quando aprovado pelo primeiro-ministro, o que significa um máximo de seis anos", disse Yeo, após a reunião dos ministros da Asean com seu colega de Mianmar, general Nyan Win.

As turbulências políticas, como a surgida por causa da disputa territorial entre Tailândia e Camboja, podem retardar a ratificação da carta de princípios, segundo alguns observadores.

"A Asean não conseguiu extirpar os nacionalismos, que freiam qualquer processo de integração", advertiu o professor Kesavapany, diretor do Instituto de Estudos do Sudeste Asiático, com sede em Cingapura.

Fontes do Ministério de Exteriores tailandês assinalaram, na semana passada, que a assinatura da carta durante a reunião de Cingapura "desrespeitaria a Constituição" da Tailândia.

Até o momento, Filipinas, Indonésia e Tailândia não aderiram à carta de princípios que, para que entre em vigor, deve ser ratificada pela totalidade dos membros da Asean.

A carta da Asean também fixa o objetivo de criar um mercado comum regional, a partir de 2015, com as seis economias mais avançadas do grupo, e ao qual se unirão em 2020 os demais membros. EFE mfr/gs

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