Os ministros de Energia da União Européia (UE) anunciaram neste sábado, após uma reunião informal, que vêm trabalhando há 18 meses sob a falsa impressão de que um plano da Comissão Européia de luta contra a mudança climática incluía a obrigação de desenvolver biocombustíveis.

Os documentos publicados pela UE desde que revelou, em janeiro de 2007, seu ambicioso programa para reduzir as emissões de CO2, determinavam que 10% do carburante do parque automobilístico europeu deviam proceder a partir de 2020 dos biocombustíveis.

Mas os Estados-membros se deram conta de que a proposta da Comissão falava em 10% de energias renováveis para os transportes, e não 10% de biocombustíveis", anunciou Jean-Louis Borloo, ministro da Energia da França, em entrevista à imprensa após a reunião de Saint-Cloud, arredores de Paris.

Os biocombustíveis representam uma energia renovável, mas não são a única.

"Os Estados-membros não mudaram de opinião sobre a meta de usar 10% das energias renováveis nos transportes", afirmou Borloo.

"Mas durante anos a única verdade foi o biocombustível. Estamos mudando de opinião a toda velocidade", acrescentou o ministro, cujo país ocupa a presidência atual da UE.

"Na reunião, os ministros falaram sobre as preocupações envolvendo os biocombustíveis, que continuam sendo no entanto a principal energia renovável", continuou Borloo.

"O que era a solução há 18 meses, agora está condenado ao fracasso", destacou.

O jornal britânico The Guardian afirmou sexta-feira, citando um relatório do Banco Mundial, que a explosão do cultivo de combustíveis vegetais é a maior responsável pelo aumento dos preços dos alimentos.

Países como Estados Unidos e Brasil, que respondem por 70% da produção mundial de etanol, negam qualquer vínculo entre este tipo de combustível e a atual crise de alimentos.

csg/lm

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.