Ministro somali diz que pirataria pede mais do que solução militar

Cairo, 27 mai (EFE).- A pirataria nas águas próximas à Somália só terminará com uma solução integral, e não exclusivamente com meios militares, afirmou hoje o ministro de Pesca e Assuntos Marítimos somali, Abdulrahman Adan Ibrahim.

EFE |

"Só agora, quando surgiu o problema da pirataria, a comunidade internacional fala da Somália, que está em guerra há 20 anos", acrescentou o ministro, que chegou ao Cairo para uma conferência internacional sobre pirataria.

Em declarações a jornalistas, Ibrahim criticou outras nações, que não identificou, por pescar ilegalmente nas águas da Somália após terem "arrasado seus próprios recursos pesqueiros".

Tudo isso, acrescentou, "se aproveitando da falta de guarda costeira somali, cortando as redes dos pescadores locais e destruindo seus navios".

"Então os pescadores pensaram: 'por que não atacar os pescadores e navios que passam pela zona? Por que ser pescador se é possível ser pirata?", perguntou o ministro.

Ibrahim lembrou que a Somália é o país africano com a costa mais extensa, cerca de três mil quilômetros, e que conta com sua zona econômica exclusiva, "como qualquer país".

Perguntado pela Agência Efe sobre se a Somália tem a capacidade e os mecanismos para regular a pesca em suas águas, Ibrahim lembrou que o país é membro "pleno das Nações Unidas".

Ibrahim criticou a decisão de muitos países de enviar navios militares para proteger suas embarcações dos ataques piratas.

"Gastam-se bilhões de dólares para enviar navios, quando os piratas são pessoas desesperadas", disse, criticando que nada é feito pelo desenvolvimento econômico do país.

Acrescentou que estas potências estão lá apenas "para sua segurança, não para ajudar a Somália. São apenas migalhas para solucionar o problema".

Sobre os combates entre islamitas e o Governo em áreas próximas à capital somali, Mogadíscio, o ministro calcula que "em uma ou duas semanas tudo estará controlado".

A conferência de hoje no Cairo não chegou a ser realizada por questões relacionadas com a segurança, embora estas não tenham sido completamente esclarecidas pela organização. EFE jrg/bba

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