Ministro russo não descarta envolvimento estrangeiro em atentado de Moscou

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, declarou nesta segunda-feira que não é possível descartar envolvimento estrangeiro no duplo atentado suicida que matou 39 pessoas no metrô de Moscou.

iG São Paulo |


"Não podemos descartar qualquer pista", disse Lavrov, citado pela agência Interfax. "Todos sabem que há terroristas clandestinos muito ativos na fronteira entre Afeganistão e Paquistão".

"Sabemos que vários atentados são preparados lá, para ser cometidos não apenas no Afeganistão, mas também em outros países. Algumas vezes, este itinerário chega ao Cáucaso", afirmou o ministro.

Os ataque desta segunda-feira aconteceram em estações de metrô de Lubyanka e Park Kultury, no centro de Moscou. Segundo as autoridades, eles teriam sido cometidos por duas mulheres-bomba vinculadas a grupos insurgentes islâmicos do Cáucaso.

Os peritos e criminalistas encontraram as cabeças e outras partes dos corpos das duas terroristas suicidas e ainda esperam identificá-las, afirmaram fontes militares às agências russas.

Os agentes de segurança procuram outras duas mulheres de origem eslava que foram filmadas pelas câmaras de segurança acompanhando as suicidas até a entrada do metrô.

Além disso, também procuram um homem de 1,80 metro de altura e cerca de 30 anos de idade que pode estar relacionado ao atentado.

Reuters
Paramédicos conversam com sobrevivente de explosão perto da saída do metrô Park Kultury

Paramédicos conversam com sobrevivente de explosão

O site "Lifenews" afirma que duas ou três mulheres muçulmanas suspeitas foram vistas na estação Lubyanka pouco antes do atentado. Uma delas teria se ajoelhado para rezar.

Locais dos ataques

O primeiro atentado aconteceu às 7h57 locais (0h57 no horário de Brasília) em um vagão parado na estação Lubyanka.

A Praça Lubyanka abriga a sede do FSB, sucessor da KGB soviética, que nesse edifício interrogava e eliminava os dissidentes na então União Soviética. O segundo atentado foi executado na estação Park Kultury às 8h40 locais (1h40 de Brasília).

Moscou registrou nos últimos dez anos uma série de explosões mortais reivindicadas por militantes da causa chechena - uma república do Cáucaso -, mas nos últimos anos os atentados se tornaram menos frequentes.

O último ataque no metrô de Moscou aconteceu em 6 de fevereiro de 2004, entre as estações Avtozavodskaia e Pavelestakia, com um balanço de 41 mortos e 250 feridos.

Nos últimos meses, as tropas russas intensificaram as operações militares contra rebeldes islâmicos no Cáucaso Norte e mataram vários dirigentes rebeldes.

Reação internacional

As autoridades estrangeiras condenaram rapidamente os atentados. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chamou as ações de "atos monstruosos".

"O povo americano é solidário com a Rússia na oposição ao extremismo e aos atrozes atentados terroristas que demonstram tal indiferença à vida humana. Condenamos esses atos monstruosos", afirma Obama em um comunicado.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, afirmou que "nada pode justificar tais ataques contra civis inocentes".

"A União Europeia (UE) apoia firmemente a Rússia no combate ao terrorismo sob todas as formas", declarou a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton.

AP
Ferido é visto do lado de fora de uma das estações que foram alvo de ataques suicidas em Moscou

Ferido é visto do lado de fora de uma das estações de metrô


A chanceler alemã, Angela Merkel, disse ter recebido com "consternação e horror" a notícia, enquanto o presidente francês, Nicolas Sarkozy, condenou os atentados "odiosos e covardes".

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e o chefe de Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, também enviaram mensagens de condolências ao presidente Medvedev.

Com EFE e AFP

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