Atirador pode ter filmado ataque contra escola judaica na França

Testemunha e imagens de câmera de segurança indicam que homem registrou ação contra colégio em Toulouse

iG São Paulo |

O homem que atirou contra uma escola judaica da cidade de Toulouse, na França, pode ter filmado o ataque, afirmou nesta terça-feira o ministro francês do Interior, Claude Gueant. De acordo com ele, uma testemunha disse que o atirador, suspeito de outros dois ataques e alvo de uma verdadeira operação de caça , portava uma câmera de vídeo.

Investigação: França descarta relação entre ex-militares neonazistas e ataque a escola

"Uma testemunha contou ter visto uma pequena câmera de vídeo amarrada ao pescoço do atirador", afirmou Gueant, em entrevista à rádio Europe 1. Ele acrescentou que imagens das câmeras de segurança da escola teriam mostrado algo pendurado ao pescoço do homem, que poderia ser um equipamento de filmagem.

Reuters
Em Paris, professora consola aluno durante homenagem às vítimas do ataque a uma escola judaica de Toulouse

De acordo com Gueant, autoridades vasculham a internet para descobrir se algum vídeo do ataque foi publicado. A informação sobre a suposta filmagem, segundo ele, ajuda a definir um "perfil" do suspeito. "Este homem é alguém muito frio, muito determinado, muito ciente de seus movimentos e muito cruel", afirmou o ministro, admitindo que a polícia não está perto de prender o acusado.

Autoridades francesas estão ligando o ataque à escola judaica de Toulouse às mortes de três soldados de ascendência norte-africana e muçulmanos em dois incidentes separados na semana passada. Todos os incidentes ocorreram num raio de 50 km, entre as cidades de Toulouse e Montauban.

Leia também: França caça autor de ataques contra escola judaica e soldados

De acordo com fontes próximas à investigação, uma arma de calibre 11.43 mm e uma scooter T-MAX da marca Yamaha, roubada no dia 6, foram usadas nos três casos. O número da placa da scooter foi registrado por câmeras de circuito interno da escola.

Os atos desataram a maior caçada por um culpado em anos recentes na França, envolvendo cerca de 200 policiais na investigação. Os investigadores trabalham com duas linhas principais de investigação: uma motivação islâmica ou de extrema direita.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, decretou ''alerta vermelho'' em todo o sudoeste do país.

Trata-se do mais elevado estado de alerta contra o terrorismo, permitindo que as autoridades imponham medidas extremas de segurança, como a realização de partulhas conjuntas feitas por policiais e militares e a concessão de poderes especiais para suspender o transporte público e fechar escolas. Policiais estão sendo posicionados do lado de fora de escolas religiosas, assim como em centros judaicos e muçulmanos.

Homenagem

Nesta terça-feira, as escolas da França fizeram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do atentado de segunda-feira. Sarkozy participou do ato em um colégio público no centro de Paris, localizado em frente a um memorial ao povo francês que ajudou os judeus durante o Holocausto, quando grande parte do país foi ocupada pelos nazistas.

"As crianças (que morreram no ataque) são exatamente como vocês. Aquilo poderia ter acontecido aqui", disse o presidente, reforçando a promessa de que o responsável será encontrado.

François Hollande, rival de Sarkozy nas eleições presidenciais, também participou da homenagem em uma escola de Pré-Saint-Gervais, na periferia de Paris.

As vítimas, que têm cidadanias francesa e israelense, serão enterradas em Jerusalém na quarta-feira. Os corpos do rabino e das três crianças serão transportados nesta terça-feira pela Força Aérea francesa de Toulouse para Paris, de onde seguirão para Tel Aviv. O nome do cemitério e o horário da cerimônia de sepultamento ainda não foram revelados.

Com BBC, AP, EFE e AFP

    Leia tudo sobre: françaescola judaicatoulouse

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG