Ministro japonês renuncia por gafes sobre Fukushima

Titular da pasta da Indústria deixa cargo após classificar zona de usina nuclear de 'cidade fantasma'; Japão marca seis meses de terremoto amanhã

iG São Paulo |

AFP
Ministro japonês da Economia, Comércio e Indústria, Yoshio Hachiro, é visto em Sagamihara, subúrbio de Tóquio. Ele renunciou após críticas por gafes sobre Fukushima
Após apenas oito dias no cargo, o ministro de Economia, Comércio e Indústria japonês, Yoshio Hachiro, renunciou neste sábado em meio a críticas por polêmicos comentários sobre a situação na região de Fukushima, epicentro da crise nuclear iniciada após o terremoto seguido de tsunami de 11 de março.

Segundo a televisão pública "NHK", após uma visita na quinta-feira à usina nuclear de Fukushima Daiichi, o ministro brincou dizendo aos repórteres: "Cuidado, estou radioativo", o que rendeu uma avalanche de críticas.

Além disso, o responsável de Indústria qualificou a zona perto da usina nuclear de "cidade fantasma", definição que foi considerada "inadequada" pelos membros de sua própria formação, o governista Partido Democrático.

O primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda , recebeu neste sábado Hachiro para que desse explicações sobre suas declarações em um encontro em que o ministro decidiu apresentar sua demissão, que foi aceita. Nesta tarde (horário local), o ex-ministro apresentou publicamente suas desculpas por ter "incomodado o povo japonês e a população de Fukushima".

Com 63 anos, Hachiro, considerado um especialista em questões trabalhistas e agrícolas, fez o juramento para seu posto no dia 2 de setembro juntamente com o resto do novo gabinete japonês liderado por Noda, que chegou ao poder em substituição de Naoto Kan .

Seis meses do terremoto

No domingo, o Japão lembrará as mais de 20 mil vítimas da tragédia de 11 de março após seis meses da tragédia, que, além da grave crise nuclear, deixou uma grande tarefa de reconstrução.

Os atos em homenagem aos mortos serão realizados em todo o país às 14h46 locais (2h46 deste sábado em Brasília), mesma hora em que o forte terremoto de 9 graus na Escala Richter atingiu o nordeste japonês, desencadeando a pior crise que o Japão lembra desde a Segunda Guerra Mundial.

Neste sábado, o premiê Noda visitou pela primeira vez como chefe de governo as zonas arrasadas. Na Província de Miyagi, onde se registraram mais da metade das vítimas do desastre, Noda prometeu reforçar a reconstrução das áreas assoladas, onde se acumulam ainda mais de 23 mil toneladas de escombros.

Dezenas de milhares continuam sem um teto permanente, à espera de que o governo decida onde se construirão suas novas casas e como serão custeadas.

O primeiro-ministro assegurou que os pedidos das autoridades locais de Miyagi, Iwate e Fukushima, as três províncias mais afetadas, englobarão o terceiro orçamento extraordinário que o Executivo prepara para enfrentar os astronômicos custos da reconstrução.

Até agora se aprovaram dois orçamentos extras por um total de 6 trilhões de ienes (equivalente a 56,7 bilhões de euros), e o terceiro contemplaria entre 7 trilhões e 8 trilhões de ienes mais para reabilitar o nordeste (entre 66,1 bilhões e 75,6 bilhões de euros).

*Com EFE e AFP

    Leia tudo sobre: japãoterremototremortsunamiusina nuclearradiação

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG