Roma, 24 set (EFE).- O ministro do Interior italiano, Roberto Maroni, justificou hoje o envio de 500 soldados à região da Campânia (sul) para apoiar as forças de segurança na luta contra a Camorra com o argumento de que a organização mafiosa teria declarado guerra civil ao Estado.

Maroni compareceu hoje no Senado para explicar as medidas adotadas na última terça pelo Conselho de Ministros após os últimos episódios de violência provocados pela organização mafiosa napolitana, com os assassinatos de um italiano e seis imigrantes africanos em Castel Volturno, na província de Caserta.

"O objetivo é localizar os autores do massacre, capturar os fugitivos e expulsar os imigrantes clandestinos. Há uma guerra civil declarada pela Camorra contra o Estado e este deve responder com firmeza, recuperando o controle do território", declarou Maroni.

O ministro do Interior não hesitou em classificar os sete assassinatos da última sexta como "um ato de terrorismo" e ressaltou que a Promotoria acusa o único detido no caso até o momento pelo crime de "atentado com fins terroristas".

Maroni afirmou que o objetivo da Camorra com estes crimes é "erradicar com ações violentas e espetaculares qualquer tentativa de se opor a seu poder, inclusive as que partirem de grupos criminosos estrangeiros".

Além disso, propôs aos deputados que estudem uma reforma normativa que reduza os benefícios penitenciários dos condenados por crimes mafiosos.

O ministro anunciou que as forças de segurança investigam cerca de dez ex-membros do clã dos Casalesi, o mais poderoso e sanguinário da Camorra.

O senador do opositor Partido Democrata (PD) Giuseppe Lumia rejeitou que a luta contra a Camorra seja definida como "guerra civil", um termo que, na sua opinião, dá "muita dignidade" à organização criminosa.

Na última terça, Maroni explicou que a missão dos 500 militares durará cerca de três meses e que sua principal função será a de instalar postos de controle nas áreas consideradas de emergência.

EFE ddt/ev/fal

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.